08:37 15 Outubro 2019
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    Materiais obtidos pelo The Intercept mostram plano 'paranoico' de Bolsonaro na Amazônia

    © REUTERS / ADRIANO MACHADO
    Brasil
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    Bolsonaro estaria planejando povoar Amazônia contra chineses, ONGs e Igreja Católica.

    O governo de Bolsonaro estaria elaborando um plano de ocupação e desenvolvimento da Amazônia desde a ditadura militar.

    O projeto Barão de Rio Branco retoma o antigo desejo militar de povoar a Amazônia, sob o pretexto de desenvolver a região e proteger a fronteira norte do país.

    Documentos, obtidos pelo jornal The Intercept, detalham o plano que incentivaria os grandes empreendimentos a atrair a população brasileira a povoar a região amazônica para elevar a participação da região norte no PIB do país.

    Contrariando os pronunciamentos realizados em rede nacional por Bolsonaro, os documentos mostram que os planos do presidente é explorar as riquezas, fazer grandes obras e atrair novos habitantes para a Amazônia.

    O plano foi apresentando pelo coronel reformado Raimundo César Calderaro, coordenador de Bolsonaro, em reuniões fechadas com políticos e empresários locais. Parte do conteúdo desta reunião foi revelada pelo portal Open Democracy.

    A secretaria teria afirmado ter reunido a sociedade, academia e autoridades locais para receber opiniões e sugestões para dar sequência ao projeto, entretanto deixou de fora os indígenas, quilombolas e ambientalistas.

    Lote queimado é visto na Floresta Nacional de Jamanxim na Amazônia, no estado do Pará, Brasil, 11 de setembro de 2019
    © REUTERS / Amanda Perobelli
    Lote queimado é visto na Floresta Nacional de Jamanxim na Amazônia, no estado do Pará, Brasil, 11 de setembro de 2019

    O governo Bolsonaro estaria visando as "riquezas" da Amazônia, como os minérios, o potencial hidrelétrico e as terras cultiváveis do planalto da Guiana. Além disso, há planos para a construção de uma hidrelétrica e uma rodovia e explorar as regiões de savanas.

    Vale destacar que outros projetos semelhantes foram abandonados devido ao impacto socioambiental em comunidades indígenas e quilombolas, onde inclusive há o registro de tribos isoladas. Entretanto, o governo Bolsonaro ignora a questão socioambiental e estaria determinado a seguir em frente com o projeto, "custe o que custar".

    Em áudios gravados durante a reunião fechada, o governo Bolsonaro cita que o Brasil precisa proteger suas fronteiras, principalmente com o Suriname, país que recebe investimento e imigrantes chineses. Já que eles acreditam que a China poderia fazer o mesmo em uma região pouco habitada do Brasil, o que facilitaria uma suposta invasão chinesa.

    Entretanto, Mauricio Santoro, professor de relações internacionais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, afirmou que a China não tem uma política de imigração e que, na verdade, está atraindo de volta seus cidadãos capacitados que vive no Ocidente.

    Os militares acreditam que a única forma de proteger o Brasil é desenvolver a região amazônica a qualquer custo, pois almejam elevar a renda do PIB do Brasil.

    A realidade aponta que o projeto "causará impactos destrutivos e irreversíveis" para a região, para os povos indígenas e para os recursos naturais.

    Árvores queimadas durante os incêndios florestais na Amazônia (imagem ilustrativa)
    © REUTERS / Bruno Kelly
    Árvores queimadas durante os incêndios florestais na Amazônia (imagem ilustrativa)

    O governo Bolsonaro vem tentando aprovar o projeto desde janeiro, mas até agora não conseguiu, entretanto o assunto segue secretamente em pauta.

    Por coincidência, a Amazônia está sofrendo sua maior crise e desmatamento após incêndios que podem ter sido causados por apoiadores de Bolsonaro e seu projeto Rio Branco, escreve o The Intercept. Inclusive, a crise da Amazônia está favorecendo seu projeto de interesses na região, onde uma exploração e expansão estão em seus planos.

    Ou seja, Bolsonaro e seu "exército" veem a crise da Amazônia como uma grande oportunidade para seguir com o projeto. Tanto é que a Secretaria Nacional de Assuntos Estratégicos admitiu que o governo deverá criar um Grupo de Trabalho Interministerial para discutir o projeto, expondo ainda mais a real intenção do governo Bolsonaro.

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    Tags:
    riquezas naturais, interesse, PIB, povos indígenas, indígenas, plano, Jair Bolsonaro, desmatamento, Amazônia, Brasil, Brasil
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