11:13 18 Outubro 2019
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    Presidente Jair Bolsonaro participou de uma cerimônia em homenagem aos ex-combatentes brasileiros que lutaram na Segunda Guerra Mundial

    'Pode prejudicar os gays': Bolsonaro critica STF por criminalizar a homofobia no Brasil

    © Sputnik / Thiago de Araújo
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    O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta sexta-feira a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de criminalizar a homofobia, dizendo que poderia "prejudicar" os gays, impedindo as empresas de contratá-los.

    Bolsonaro, que tem um histórico de comentários homofóbicos - declarou certa vez que preferiria que seu filho morresse a ser homossexual - também disse que o tribunal estava "completamente errado" porque havia entrado em território legislativo.

    Na quinta-feira, o Supremo votou oito a três a favor da classificação de crimes contra pessoas gays e transgêneros como semelhantes ao racismo, até que o Congresso Nacional aprove uma lei que aborde especificamente tal discriminação.

    Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília
    © Foto / José Cruz/Agência Brasil

    O Congresso é formado por uma maioria conservadora e é fortemente influenciado pelas igrejas evangélicas.

    O Brasil, que tem uma das taxas mais altas de violência contra minorias sexuais do mundo, agora se une a um número crescente de países na região tipicamente conservadora e influenciada pela Igreja Católica na América Latina, que aprovaram medidas em favor dos direitos LGBT.

    Falando aos repórteres nesta sexta-feira, Bolsonaro afirmou que os empregadores "pensariam duas vezes" antes de contratar uma pessoa gay por medo de serem acusados de homofobia.

    Bolsonaro também levantou novamente a possibilidade de nomear um juiz evangélico para o mais alto tribunal do país para ajudar a "equilibrar" a Corte.

    Os três juízes que votaram contra a medida concordaram com Bolsonaro em seu argumento de que criminalizar a homofobia era trabalho do Congresso, não do tribunal.

    "Somente o Congresso pode aprovar [a definição de] crimes e penalidades. Somente o Congresso pode aprovar leis sobre conduta criminosa", declarou no julgamento o ministro Ricardo Lewandowski.

    Segundo a ONG Grupo Gay de Bahia, que coletou estatísticas nacionais nas últimas quatro décadas, houve 387 assassinatos e 58 suicídios devido à "homotransfobia" em 2017, um aumento de 30% em relação a 2016. Isso resulta em uma morte LGBT por suicídio ou assassinato a cada 19 horas no Brasil.

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    Tags:
    direitos humanos, gays, LGBT, crime de ódio, racismo, homofobia, Jair Bolsonaro, STF, Brasil
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