23:28 15 Julho 2019
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    Michelle Bolsonaro, primeira-dama do Brasil

    Após quebra de sigilo de Flávio, mulher de Bolsonaro pode entrar no radar do MP do Rio

    © AP Photo / Eraldo Peres
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    O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) possui fortes suspeitas contra o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, mas as investigações sobre lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito do parlamentar podem avançar também contra a primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

    De acordo com a revista Época, não está descartada a quebra de sigilo bancário da mulher do presidente, que teve depositados em sua conta 10 cheques, no valor de R$ 40 mil, pelo ex-policial militar Fabrício Queiroz, amigo de Bolsonaro e ex-assessor de Flávio.

    "O foco neste momento é em três núcleos: o da loja de Flávio, o do gabinete e o familiar. Em um eventual desdobramento, a primeira-dama pode se tornar alvo", explicou à revista um investigador do caso.

    Ainda de acordo com a Época, existe a suspeita de que Bolsonaro tenha mentido no passado, quando justificou os depósitos na conta da mulher como uma devolução de um suposto empréstimo feito a Queiroz no passado.

    No total, o MP do Rio obteve autorização para a quebra do sigilo bancário de 95 pessoas e empresas ligadas a Flávio Bolsonaro — incluindo Queiroz e pessoas da sua família. Os investigadores não incluíram Michelle porque ampliaria excessivamente o escopo, porém a análise das informações poderá comprovar a versão do presidente, ou levar a um avanço das apurações sobre a primeira-dama.

    Já Bolsonaro poderia ser investigado, mas não poderia ser processado neste momento por fatos não relacionados ao mandato, conforme dispõe a Constituição Federal — um cenário semelhante ao vivido pelo ex-presidente Michel Temer (MDB).

    A investigação tem como peça central a apuração sobre um possível desvio de recursos do gabinete do atual senador, então deputado estadual no Rio, já que existem suspeitas de que o filho do presidente ficava com parte do salário de servidores de seu gabinete.

    Segundo reportagens dos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo, vários servidores que integram a lista de investigados pelo MP do Rio também trabalharam para Bolsonaro e/ou para os demais filhos do presidente — o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

    O pontapé das investigações foi dado por um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou movimentações de R$ 1,2 milhão por Queiroz entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017 — valor incompatível com sua renda.

    Tanto a defesa de Flávio quanto a de Queiroz negam qualquer irregularidade. No caso do senador, ele acusa o MP do Rio de já ter quebrado os seus sigilos irregularmente, acusando o órgão de fazer uma perseguição cujo alvo final seria o governo do pai.

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    Tags:
    enriquecimento, gabinete, lavagem de dinheiro, corrupção, política, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ministério Público do Rio de Janeiro, Fabrício José de Queiroz, Michel Temer, Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Brasil
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