03:53 19 Abril 2019
Ouvir Rádio
    Reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz

    Desejo antigo da Marinha, quebra-gelo brasileiro começa a sair do papel

    Marinha do Brasil / Divulgação
    Brasil
    URL curta
    4115

    A Marinha do Brasil iniciou um processo para a construção de um Navio de Apoio Antártico (NApAnt), em um projeto orçado em R$ 500 milhões. O navio quebra-gelo, como é conhecido, dará suporte aos projetos e às pesquisas do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR).

    Em nota enviada à Sputnik Brasil, a Marinha do Brasil ressaltou que a aquisição possibilitará o incremento das atividades realizadas na Antártica.

    “A aquisição do NApAnt, em substituição do NApOc Ary Rongel, possibilitará a continuidade e o incremento das atividades de apoio logístico realizadas pela Marinha do Brasil na Antártica, proporcionando um meio moderno, de maior capacidade e de elevada confiabilidade para a consecução dos objetivos do Brasil no Continente Antártico”, explica.

    O futuro Navio de Apoio Antártico ainda ampliará o alcance das atividades na região, sobretudo na parte logística e "pode ampliar sobremaneira o alcance do Programa no Oceano Austral, permitindo alcançar latitudes mais ao sul do limite atual, levando nossas Operações a regiões situadas bem mais ao Sul do paralelo 60ºS e abrangendo uma área total maior do que a atualmente coberta", destaca a nota.

    Além de ampliar a área passível de ser visitada pelos pesquisadores, incluindo as regiões oceânicas e terrestres, o navio proporcionará aos cientistas modernos laboratórios e equipamentos em prol dos experimentos.

    Segundo a Armada, a nova embarcação também reduzirá o tempo de reabastecimento da Estação Antártica Comandante Ferraz, que deverá ficar pronta no final deste mês, após se destruída por um incêndio há sete anos.

    “(…) será possível a redução do tempo necessário para o reabastecimento da Estação Antártica Comandante Ferraz, uma vez que as capacidades do navio proposto incluem guindastes modernos e de maior capacidade de carga e manobra, sistema de navegação e de controle modernos que permitirão maior aproximação com segurança do navio com a praia de desembarque de material e de pessoal”, diz a nota.

    Estação Antártica Comandante Ferraz
    © Foto : Divulgação/Marinha do Brasil
    Estação Antártica Comandante Ferraz

    A Marinha do Brasil informou ainda que a embarcação faz parte do Programa de Obtenção de Meios Hidroceanográficos (PROHIDRO) da Armada e vai substituir o Navio de Apoio Oceanográfico (NApOc) Ary Rongel, construído em 1981.

    Atualmente, a Marinha do Brasil conta com duas embarcações para apoiar logisticamente o PROANTAR: o Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel e o Navio-Polar (NPo) Almirante Maximiano.

    Segundo a Armada, o Navio de Apoio Antártico e seus equipamentos visam “apoiar logisticamente o PROANTAR e contribuir para a segurança da navegação na região Antártica, por meio da realização de levantamentos hidrográficos”.

    Após publicar em 22 de fevereiro no Diário Oficial da União a intenção de iniciar o processo de obtenção, por construção, da embarcação por empresa a ser contratada pela Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON), a Marinha está na fase de levantamento de informações sobre o projeto. A Armada já disponibilizou um documento intitulado Solicitação de Informações (Request For Information — RFI) que visa buscar dados preliminares sobre projetos técnicos de navios polares construídos por empresas que possuam capacidade e experiência comprovadas em construção desses navios.

    A expectativa é que a construção do navio aconteça no Brasil, mas, segundo a Marinha, “ainda não é possível determinar se a obtenção será por construção no Brasil ou no exterior”.

    Entre os parâmetros listados pela Armada, em nota à Sputnik, como requisitos para a obtenção da nova embarcação estão:

    — As capacidades e requisitos de alto nível dos sistemas, tais como: autonomia; velocidade; raio de ação; capacidades de manobra e carga; sensores de navegação; sistema de propulsão e de geração de energia; capacidade de operações aéreas; sistemas de apoio à pesquisa; dentre outros;

    — Os parâmetros do projeto de engenharia, tais como: certificação por Sociedade Classificadora da IACS; diâmetro tático; faixa de temperatura de operação; tecnologia embarcada; capacidade e condições de habitabilidade; capacidade de armazenamento; sistema de controle de avarias; dentre outros;

    — Gerenciamento do ciclo de vida do navio, onde são definidos os período mínimo de operação, períodos de manutenção durante seu ciclo de vida, índice de disponibilidade, dentre outros.

    O mecanismo quebra-gelo

    Segundo a Marinha do Brasil, o NApAnt deverá possuir capacidade para operar no verão/outono, em condições de gelo médio de 1º ano, podendo encontrar intrusões de gelo antigo. Isso permitirá a extensão do período dos cientistas do PROANTAR na região.

    Os Navios de Apoio Antártico possuem um casco reforçado, com formato específico para abrir caminho pelos campos de gelo. A embarcação utiliza o próprio peso do navio para quebrar as placas de gelo e, por vezes, o turbilhonamento provocado por seus propulsores.

    Para tal, o navio que será construído pela Marinha do Brasil deverá estar em conformidade com os requisitos da Categoria B do Código Polar e requisitos de casco e de máquinas da Classe Polar 6, da “International Association of Classification Societies” (IACS).

    Os requisitos definem não somente a possibilidade ou não do trânsito do navio sobre gelo solidificado, mas também a capacidade dos sistemas e equipamentos instalados em suportar e permanecer operando em condições de temperatura extremas.

    Tags:
    Programa de Obtenção de Meios Hidroceanográficos (PROHIDRO), Navio de Apoio Oceanográfico (NApOc) Ary Rongel, Navio de Apoio Antártico, Estação Antártica Comandante Ferraz, Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON), Marinha, Brasil
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar