12:13 07 Dezembro 2019
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    President Donald Trump presents Brazilian President Jair Bolsonaro with a U.S. national team soccer jersey during a meeting in the Oval Office of the White House, Tuesday, March 19, 2019, in Washington. (AP Photo/Evan Vucci)

    Ex-embaixador nos EUA critica aceno de Trump pela entrada do Brasil na OTAN e na OCDE

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    O ex-embaixador do Brasil nos EUA e ex-ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, criticou duramente os resultados da viagem feita pelo presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos, afirmando que os resultados foram ínfimos e de poucos ganhos práticos ao Brasil.

    Em entrevista ao Jornal da Manhã, da rádio Jovem Pan, Ricupero declarou que o apoio do presidente estadunidense Donald Trump à entrada brasileira na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) não representa ganhos ao país.

    "A questão que se deve indagar é qual a vantagem de entrar na OCDE? Ela é uma entidade como outras, é um 'think tank'. Aqui no Brasil isso tem sido apresentado como grande ganho do país, mas não é verdade. Não acrescenta grande coisa", disse.

    "Por exemplo, o México faz parte da OCDE há 15 anos e até o diretor-geral é um mexicano. Nem por isso cresceu mais que o Brasil, não atraiu mais investimentos do que o Brasil. Na verdade, nas questões de desenvolvimento o principal é o esforço interno. A entrada na OCDE vai requerer alteração de mais de 17 leis no Brasil. Nada disso é fácil. O Congresso brasileiro, como se sabe, é extremamente lento, é complicado na aprovação de medidas", acrescentou.

    Ricupero avaliou ainda que, no âmbito da OCDE – entidade que reúne os países desenvolvidos e contribui, entre outras coisas, com um "selo de qualidade" para investimentos – "é um processo longo e o apoio americano é só parte do processo".

    Mais grave ainda, de acordo com Ricupero, foi o indicativo feito por Trump sobre a possibilidade do Brasil ser o grande parceiro de Washington na área de segurança no continente, com uma oportunidade até mesmo de patrocínio para a entrada na OTAN.

    "Não ganha nada e perde muito. Perde autonomia, aceita comprar sem nenhuma vantagem a agenda americana de segurança. É preciso lembrar qual é essa agenda americana, que fala da contenção da China e as hostilidades contra a Rússia e o Irã", opinou.

    O ex-embaixador se mostrou preocupado com o fato do Brasil estar "comprando todos os inimigos americanos sem nenhuma vantagem". 

    "A China e o Irã são mercados importantes para os produtos brasileiros, e passamos a participar dessa campanha contra o fundamentalismo islâmico, que não nos dizia respeito […]. Qual é a ameaça que paira sobre o Brasil vinda da China, vinda da Rússia, vinda do Irã?", questionou.

    Ricupero avaliou ainda que a política externa brasileira parece não ter foco, preocupando-se mais com "as posições americanas, prevalecem sobre qualquer ordem prática". De acordo com o ex-embaixador, o jantar concedido na embaixada brasileira com a presença de Steve Bannon e Olavo de Carvalho, e a visita à Agência Americana de Inteligência (CIA) só comprovam isso.

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    subserviência, soberania, relações bilaterais, diplomacia, terrorismo, segurança, comércio, Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), OMC, Rubens Ricupero, Olavo de Carvalho, Steve Bannon, Jair Bolsonaro, Donald Trump, Estados Unidos, Irã, China, Rússia, Brasil
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