09:36 20 Agosto 2019
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    Juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba

    Atuação de Moro dentro da estrutura política ainda é incógnita, diz professor

    Rovena Rosa / Agência Brasil
    Brasil
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    Sergio Moro foi um dos destaques da equipe apresentada por Bolsonaro em Davos, na Suíça, atraindo interesse no Fórum Econômico Mundial de 2019. Para falar sobre o papel de Moro durante o evento, a Sputnik Brasil ouviu Guilherme Carvalhido, cientista político e professor da Universidade Veiga de Almeida.

    Sergio Moro tornou-se conhecido como o principal juiz da operação Lava Jato no Brasil e por ter ordenado a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

    Em Davos, já como ministro da Justiça e da Segurança Pública do governo do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, Moro participou da agenda oficial em dois momentos, falando sobre "restauração de confiança e integridade" e também sobre "crime globalizado.

    Para o pesquisador Guilherme Carvalhido a ideia da equipe de Bolsonaro, ao levar consigo, entre os ministros de Relações Exteriores e da Economia, também Sergio Moro, teve o objetivo de inspirar confiança de investidores sobre aspectos considerados problemáticos na imagem do Brasil.

    O primeiro deles, aponta o pesquisador, seria a segurança jurídica para os investidores do Fórum e, para o pesquisador, a atitude foi acertada.

    "Nesse sentido acho que a posição do atual presidente foi muito adequada. Por quê? Porque quando você quer atrair investidores para o país, uma das maiores preocupações do investidor estrangeiro, sobretudo, em um país, é a segurança jurídica", afirmou Carvalhido em entrevista à Sputnik Brasil.

    O pesquisador ressalta conhecer reclamações entre investidores acerca da segurança jurídica no Brasil e que demonstrar o contrário desse histórico teria sido a intenção de Bolsonaro em Davos.

    Um aspecto da segurança jurídica também é o combate à corrupção, algo que Bolsonaro sustenta desde a campanha presidencial. O pesquisador acredita que este seja também um aspecto relevante para atrair o interesse de investidores para o Brasil, uma vez que a corrupção também é associada à imagem do país.

    Sobre isso, Carvalhido acredita que é necessário ter um olhar analítico, destacando a atual figura política de Sergio Moro de sua atuação anterior como juiz.

    "A gente tem que ter duas posições aí. Uma é ele [Sergio Moro] juiz e fazer parte parte do Judiciário e ter sua atuação como tal, e a outra é ele fazer parte de um corpo político, que é o que acontece dentro do governo, do Executivo, e ter as prerrogativas políticas nesse sentido", afirma o pesquisador.

    Ele ainda aponta que essa posição como política deve ser explicitada, pois ela ainda não foi testada como ativa no combate à corrupção.

    "Então eu acho que é isso que estamos a ver de Sergio Moro, como um elemento novo, ele tendo que ser político para atuar na sua configuração original, que é o combate à corrupção", explica.

    Um último aspecto ressaltado pelo pesquisador foi o do combate à violência, algo que a figura de Moro, ao lado de Bolsonaro, tentou representar. Para Carvalhido, este aspecto também é fundamental para atrair o interesse de investidores, mas depende ainda do teste da ação jurídica de Moro dentro da estrutura política.

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    Tags:
    combate à corrupção, corrupção, justiça, Guilherme Carvalhido, Sergio Moro, Luiz Inácio Lula da Silva, Davos, Suíça, Brasil
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