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    Candidato à presidência Jair Bolsonaro, 7 de outubro de 2018

    Bolsonaro toma posse como novo presidente do Brasil nesta terça-feira

    © AP Photo / Silvia Izquierdo
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    O Brasil entra em um novo capítulo em sua história nesta terça-feira, abraçando o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), cuja determinação de romper com décadas de governo de centro-esquerda aumentou as esperanças e os temores.

    O ex-militar e legislador de longa data estava iniciando seu mandato de quatro anos em 1º de janeiro, conforme exigido pela Constituição, após uma noite de comemorações de Ano Novo em todo o país.

    Ele está assumindo o cargo com uma classificação de aprovação altíssima, alimentada pelas expectativas do público de que ele seria uma nova vassoura varrendo o crime e a corrupção crônicos e impulsionando uma economia ainda mancando após uma recessão recorde.

    "Vou trazer uma política completamente diferente daquela que trouxe corrupção e ineficiência para o Brasil", disse ele na segunda-feira em entrevista à Record TV.

    O parlamentar de 63 anos venceu confortavelmente uma eleição em outubro contra Fernando Haddad, um candidato do Partido dos Trabalhadores que esteve no poder entre 2003 e 2016, mas acabou marcado por uma série de escândalos.

    O ícone do Partido dos Trabalhadores, ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está cumprindo pena de prisão por corrupção. E sua sucessora escolhida, Dilma Rousseff, sofreu o impeachment sob a sombra de mal feitos e pedaladas fiscais.

    Em uma cerimônia marcada por pompa e alta segurança, Bolsonaro assumirá formalmente o centro-direita Michel Temer, que sucedeu Dilma, mas fez pouco progresso com a reforma fiscal necessária e acabou sendo o líder mais impopular do país.

    Eleitores de Bolsonaro esperam que seu homem faça melhor.

    Ele prometeu governar todos os 210 milhões de brasileiros no país e fez campanha para erradicar a corrupção, reprimir a criminalidade, abrir a economia protecionista do Brasil ao livre mercado e colocar os interesses comerciais à frente da proteção ambiental.

    Em sua entrevista para a Record TV, ele disse que "vamos desburocratizar o máximo possível" e "limpar" o governo para que seu "peso" seja reduzido.

    Mas não há sinais de que ele tenha abandonado o blefe, estilo que lhe rendeu comparações com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem ele admira.

    Política estrangeira

    Mesmo antes de assumir o cargo, Bolsonaro twittou que emitirá um decreto que facilitaria as leis de armas, para que os "bons" cidadãos possam possuir armas para deter os criminosos.

    Ele também disse que seu ministro da Educação vai impedir que o "lixo marxista" seja ensinado em escolas e universidades — um golpe na ideologia do Partido dos Trabalhadores.

    O histórico de Bolsonaro de ter saudade da ditadura militar brasileira de 1964-1985 provocou algumas preocupações, assim como seus desmerecimentos passados de mulheres, gays e negros.

    Uma política externa mais vigorosa poderia estar a caminho, com o novo líder dizendo que fará tudo o que puder para desafiar a Venezuela e Cuba.

    Cerimônia de diplomação do presidente eleito, Jair Bolsonaro, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
    © Foto : Valter Campanato/Agência Brasil

    Os líderes desses países, e sua aliada Nicarágua, foram excluídos da lista de convidados para a posse de Boslonaro, embora o presidente esquerdista da Bolívia, Evo Morales, tenha sido convidado.

    Outros dignitários estrangeiros presentes incluem o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, e o primeiro-ministro nacional da Hungria, Viktor Orban.

    Bolsonaro e Netanyahu falaram sobre sua "irmandade" antes da inauguração. E Netanyahu disse que Bolsonaro garantiu a ele que era uma questão de "quando" e não "se" o Brasil deveria transferir sua embaixada em Israel para Jerusalém, a cidade reivindicada por israelenses e palestinos como sua capital.

    Bolsonaro já disse que retirará seu país do pacto global das Nações Unidas sobre migração e está considerando se manterá o Brasil no acordo climático de Paris.

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    Tags:
    direita, posse, política, Partido Social Liberal (PSL), Michel Temer, Fernando Haddad, Luiz Inácio Lula da Silva, Mike Pompeo, Donald Trump, Benjamin Netanyahu, Viktor Orbán, Jair Bolsonaro, Brasília, Brasil
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