11:10 19 Novembro 2018
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    Jair Bolsonaro coloca seu voto no segundo turno das presidenciais no Brasil, em 28 de outubro de 2018

    Em entrevista, Bolsonaro diz que indicará Moro para o STF ou Ministério da Justiça

    © REUTERS / Ricardo Moraes/Pool
    Brasil
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    Um dia após ser eleito próximo presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL) concedeu uma entrevista exclusiva para a TV Record. Ele comentou o telefonema com Donald Trump, a revisão do porte de arma, direitos de minorias e de movimentos sociais.

    Ao ser perguntado pelo repórter quem Bolsonaro pretende indicar para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o futuro presidente mencionou o nome de Sérgio Moro.

    "Eu pretendo não só para o Supremo como também para o Ministério da Justiça. Preciso saber se há interesse da parte dele. Com toda certeza será uma pessoa de extrema importância em um governo como o nosso", disse.

    Estatuto do Desarmamento e porte de arma de fogo

    Ao falar sobre as medidas que tomará em seu governo, Bolsonaro disse que vai flexibilizar o Estatuto do Desarmamento. 

    "A orientação nossa é que efetiva necessidade é o próprio estado de violência do Brasil. Nós estamos em guerra. O que queremos mexer na lei é diminuir de 25 para 21 anos de idade e mais ainda dar o porte definitivo para o cidadão. Nós não podemos ter que de 3 em 3 anos rever o porte de arma do cidadão. Nos não podemos criar um encargo para quem quer ter arma dentro da sua casa para defender a integridade da sua família", afirmou.

    Além da mudança do Estatuto do Desarmamento, Bolsonaro disse que também vai flexibilizar o porte de arma e quem matar ao reagir a um crime não será punido.  

    "O porte de arma de fogo tem que ser flexibilizado também. Você casa isso com o excludente de ilicitude, o tiro em defesa da vida própria, e pode ter certeza que a bandidagem vai diminuir. Um caminhoneiro armado que reagir quando alguém estiver furtando seu estepe, vai dar um exemplo para a bandidagem que ele atirou, o elemento foi abatido em legitima defesa e ele vai responder, mas não vai ter punição. Isso vai diminuir a violência no Brasil com toda certeza", disparou.

    Direitos de minorias e movimentos sociais

    Ao falar sobre o direito de minorias, Bolsonaro questionou a existência delas e disse que todos serão tratados iguais.

    "Qual o direito de tais minorias? Todos nós somos iguais. Não podemos pegar certas minorias e achar que elas têm superpoderes e são diferentes das demais", comentou.

    Bolsonaro manteve o tom da campanha e disse que movimentos sociais que invadirem propriedades serão "tipificados na lei anti-terrorismo".

    "Temos que ter uma legislação bastante dura, qualquer invasão seja pelo MST ou MTST tem que ser tipificada por terrorismo. (…) Movimento social que invade e depreda não tem que se conversar com ele. Hoje em dia um fazendeiro vive aterrorizado. Por isso que eu quero armar o fazendeiro", afirmou.

    Política externa e Mercosul

    Bolsonaro também repercutiu a declaração do seu futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, que disse que o Mercosul não sera prioridade no futuro governo.

    "O Mercosul tem sua importância, mas está supervalorizado. Foi bem gestado lá atrás, mas na gestão do PT foi super ideologizado".

    O futuro presidente defendeu a saída imediata da Venezuela do bloco, mas descartou uma intervenção militar no país vizinho neste momento.

    "Da nossa parte não existe isso daí, o Brasil sempre vai buscar a via pacífica para resolver esses problemas".

    Ainda neste ano, Bolsonaro disse que irá aos Estados Unidos junto de sua equipe para conversar com o presidente Donald Trump sobre comércio bilateral e sobre a área de defesa.

    "Foi uma conversa um pouco mais demorada, mas vamos aprofundar essa conversa com um futuro contato. Com toda certeza pretendo ir aos Estados Unidos no corrente ano e levarei a minha equipe: meu vice-presidente General Mourão e o Coronel João Heleno para que a pauta militar fique com eles, mas para a área comercial irá o Paulo Guedes. Nós temos muito que ampliar o nosso comércio sem desmerecer o comércio com outros países do mundo".

    A vitória de Bolsonaro foi confirmada na noite deste domingo (28). Ele obteve 55,13% dos votos válidos contra 44,87% do petista Fernando Haddad.

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