04:38 20 Setembro 2018
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    Venezuelanos em Roraima

    Refugiados da Venezuela no Brasil: vêm aí os voos da esperança

    Schneyder Mendoza/AFP
    Brasil
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    O governo brasileiro começa a transferir parte dos refugiados venezuelanos que estão em Roraima para outros estados a partir da próxima quinta-feira, 5. Já foram abertas 860 vagas em São Paulo, Paraná e Espírito Santo. A Força-Tarefa Humanitária do Governo Federal em Roraima vai utilizar aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) nesse transporte.

    Com um a chegada de 450 venezuelanos por dia, estima-se que já existam hoje cerca de 40 mil refugiados apenas em Boa Vista, capital do estado. Os 300 primeiros a serem transferidos já estão sendo cadastrados e vacinados, uma vez que Roraima tem registrado casos de sarampo que chegaram com esses imigrantes. A prioridade será dada aos que estão em situação de rua, depois serão atendidos, gradativamente, os que estão em abrigos públicos. Hoje já são três dessas unidades em funcionamento no estado. O último, inaugurado na semana passada, foi fruto de uma parceria entre o Exército e o Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas (Acnur), que tem atuado na região de forma incisiva desde o ano passado. As ações de transferência serão custeadas pelos R$ 190 milhões liberados pelo governo federal para o Ministério da Defesa lidar com a questão dos refugiados.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, o porta-voz do Acnur, Luiz Fernando Godinho, diz que a agência da ONU tem atuado em várias frentes, colaborando com as autoridades locais e o Exército. Segundo ele, muitos venezuelanos não estão deixando o país apenas devido à crise econômica, mas também há relatos de receio quanto ao crescente clima de violência e também perseguições políticas por grupos armados. Para o porta-voz da Acnur, há um outro tipo de fluxo de venezuelanos que não necessariamente vem ao Brasil em busca de refúgio — são pessoas que passam um tempo no Brasil tentando formar um patrimônio mínimo que as permitam voltar ao país em condições financeiras menos adversas.

    "O Acnur tem atuado em várias frentes. Desde junho do ano passado abrimos escritório em Roraima e Manaus para fazer um trabalho mais próximo. A gente atua desde a questão do monitoramento das fronteiras, na cidade de Pacaraima, no registro e na documentação, apoiando a Polícia Federal nos atendimentos — o fluxo de venezuelanos é maior do que a capacidade de 150 atendimentos por dia — explicando às pessoas quais as opções que elas têm para se regularizar no país, ajudando a preencher uma série de formulários que são solicitados para refúgio ou residência temporária", explica o porta-voz.

    Godinho afirma que outro trabalho que tem mobilizado bastante a Acnur é a questão da organização de abrigos.desde a questão da assessoria técnica, no desenho dessas unidades até na melhoria da infraestrutura e distribuição dos itens de necessidade básica, no financiamento de Organizações Não-Governamentais que possam atuar no apoio aos abrigos, que são hoje responsabilidade do governo estadual. O porta-voz lembra que a participação do Exército nesses atendimentos tem aumentado desde que o presidente Michel Temer visitou o estado em meados de fevereiro. O trabalho da Acnur também tem se voltado às minorias.

    "Temos todo um trabalho voltado para a prevenção e tratamento de pessoas vítimas de violência, especialmente a de gênero. Há uma atenção especial para populações LGTB e até mesmo na questão da xenofobia. É uma população muito diversa. Nem a Acnur ou outra agência da ONU têm a pretensão de substituir o poder público brasileiro nessas respostas", finaliza Godinho.

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    Tags:
    xenofobia, recursos financeiros, ajuda humanitária, refugiados, imigrantes, sociedade, Força Aérea Brasileira (FAB), Exército, Acnur, Luiz Fernando Godinho, Venezuela, Brasil
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