14:34 18 Setembro 2019
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    Polícia Nacional de Fronteiras: solução para acabar com o tráfico de armas e drogas?

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    Para combater os crimes que estão na "na raiz do caos que assola a segurança pública brasileira", o Senado está estudando criar a Polícia Nacional de Fronteiras. A iniciativa é do senador Wilder Morais (PP-GO) e está na forma de Proposta de Emenda Constitucional. O objetivo, segundo o congressista, é vencer o tráfico de armas e drogas.

    A Sputnik Brasil ouviu um especialista em segurança pública e um representante da Polícia Federal — que deixará de fazer o controle das fronteiras nacionais caso a proposta seja aprovada — para entender a PEC 3/2018.

    O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Luís Boudens, acredita que uma maior integração entre os trabalhos das diferentes forças policiais do Brasil seria mais eficiente do que criar um novo órgão. "É uma ilusão pensar que fortalecendo uma polícia preventiva na fronteira você vai ter bons resultados".

    Boundens também não descarta a possibilidade da medida ser uma maneira de esvaziar a PF por causa da Operação Lava Jato.

    "No combate à corrupção, há o enfrentamento com forças políticas poderosas que são capazes de mudar nossa legislação. Nós vamos monitorar para ver a real intenção dessa proposta, se ela realmente quer dar uma resposta para o péssimo controle de fronteiras que fazemos hoje ou se quer esvaziar a Polícia Federal."

    O delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro Orlando Zaccone acredita que é uma pretensão "ufanista" querer controlar os 16 mil quilômetros de fronteiras terrestres e os outros 7 mil quilômetros de costa marítima do Brasil. "É inimaginável a gente ter um contingente suficiente para guardar as fronteiras de um país com o tamanho do Brasil."

    Em 2017, a PF apreendeu número recorde de drogas: 44,7 toneladas de cocaína e 313 toneladas de maconha. O custo estimado das apreensões foi de mais de meio bilhão de reais. 

    Zaccone, que também é doutor em ciência política pela Universidade Federal Fluminense (UFF), diz que o tráfico de armas e de drogas andam juntos, já que as armas são necessárias para fazer a segurança do lucrativo mercado das drogas. Para ele, a discussão necessária para o país no momento é a regulamentação do mercado de drogas, caminho adotado por outros países como Estados Unidos e Uruguai. "A legalização das drogas teria um impacto muito maior do qualquer policiamento na fronteira".

    "Não tem ninguém tomando conta de chopperia, vinícola ou farmácia com fuzil na mão. E são locais onde se vendem drogas", afirma Zaccone.

    A Sputnik Brasil buscou o gabinete do senador Wilder Morais, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.  A PEC 3/2018 aguarda designação de relator na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

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