06:08 23 Setembro 2017
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    Usina hidrelétrica

    SP: Por que estatal energética que dá lucro será alvo de privatização, questiona sindicato

    © Sputnik/ Pavel Didenko
    Brasil
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    Se algo lhe dá lucro, você é obrigado a privatizar? Quais são as suas motivações? Essas são apenas algumas perguntas que ainda estão sem respostas para funcionários e sindicatos ligados à Companhia Energética de São Paulo (CESP), a mais recente “joia da coroa” prestes a ser privatizada pelo governo paulista.

    Uma audiência pública foi realizada nesta terça-feira, na sede da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, a fim de esclarecer dúvidas tanto de trabalhadores e sindicatos, como de membros da iniciativa privada e da sociedade civil interessados no processo que está em curso.

    Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, o presidente do Sindicato dos Eletricitários do Estado de São Paulo, Eduardo Annunciato, lamentou a decisão do governo de Geraldo Alckmin (PSDB) em manter o que indicou ser uma tradição de governos tucanos: entregar estatais que dão lucro à iniciativa privada, e a “preço de banana”.

    “A CESP representava, até dois anos atrás, 10% da geração de energia do país. Após a entrega de parte disso para empresas chinesas, reduziu para 4% a 5% do parque energético. Eles querem arrasar a joia da coroa. É uma lógica privatista, ideológica mesmo. Querem o Estado mínimo, que não detém empresa de infraestrutura estatal, e vão entregando tudo pelo caminho”, analisou.

    Durante a audiência pública, outros representantes dos trabalhadores da CESP, como o Sindicato dos Trabalhadores Energéticos do Estado de São Paulo (Sinergia), também se manifestaram contra a privatização. Foi dada ênfase ao fato da empresa dar lucro ao estado, e não prejuízo, o que não justificaria o processo.

    “O Estado constrói, desenvolve e entrega de mão beijada. Não sou contra a iniciativa privada investir no setor, mas que ela faça toda a tratativa e ganhe uma concessão, que seja por algumas décadas, para ganhar dinheiro. O que há hoje é essa lógica em que o país deixa de controlar um setor estratégico e vai perdendo a própria soberania nacional”, disse Annunciato.

    O departamento jurídico da CESP recolheu algumas perguntas, mas pouco foi esclarecido aos trabalhadores. Aos interessados, a companhia dona de 1.540 megawatts (divididos em três hidrelétricas) foi apresentada a um mês do lançamento do edital. O leilão está previsto para setembro.

    De acordo com o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, a venda do ativo vai permitir que São Paulo se foque em outras áreas mais relevantes – um discurso já usado no passado para vender outros ativos, como a distribuidora Eletropaulo, em 1998. Sobre esta companhia, aliás, Annunciato vê muita semelhança com a situação atual.

    “Detectamos depois que a Eletropaulo foi vendida por R$ 2 bilhões, mas valia à época R$ 22 bilhões. Ou seja, o estado investe pesadamente para garantir a infraestrutura e, por questão ideológica, resolve entregar de bandeija. É uma maluquice”, completou o sindicalista.

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    Tags:
    energia, energia elétrica, soberania, entreguismo, privatização, Companhia Energética de São Paulo (CESP), PSDB, Sindicato dos Eletricitários do Estado de São Paulo, Sindicato dos Trabalhadores Energéticos do Estado de São Paulo (Sinergia), Eduardo Annunciato, Geraldo Alckmin, São Paulo, Brasil
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