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    Greve geral de 1917: 100 anos depois, a luta continua

    Paulo Pinto/AGPT/Fotos Públicas
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    A CUT (Central Única dos Trabalhadores) promoveu na segunda-feira (10) a celebração dos 100 anos da greve geral de 1917 e do centenário de morte do operário espanhol José Iñeguez Martinez. O secretário nacional de Cultura da CUT e idealizador da dupla homenagem, José Celestino Lourenço, conversou com a Sputnik Brasil sobre este evento histórico.

    Sapateiro espanhol radicado no Brasil, José Iñeguez Martinez foi morto aos 21 anos quando participava de manifestações em prol da conquista de direitos pela classe trabalhadora. As celebrações desta semana aconteceram junto ao seu túmulo no Cemitério do Araçá, na região oeste da capital paulista. Idealizador da dupla homenagem, José Celestino Lourenço, secretário nacional de Cultura da CUT, diz que o momento é muito oportuno não só para resguardar a luta dos trabalhadores como também para recordar os 100 anos de uma greve geral que, em suas palavras, paralisou o país:

    “Essa celebração pelos 100 anos da morte de José Iñeguez Martinez marcou também o centenário da greve geral [ocorrida em 1917] e o resgate do seu legado maravilhoso, do ponto de vista da organização, da resistência e da luta que não era só um processo para conquistas econômicas mas muito mais por questões que atendessem as necessidades sociais dos trabalhadores e da sociedade em geral, porque, naquele momento, os trabalhadores tinham jornadas de até 16 horas de trabalho, e com a utilização muito grande de crianças de todas as idades e de mulheres também”, afirma José Celestino Lourenço em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil.

    O secretário nacional de Cultura da CUT explica ainda que “Martinez foi um dos mártires entre as centenas de trabalhadoras e trabalhadores assassinados naquele período em que se protestava contra as degradantes condições de trabalho. Ele era um sapateiro e anarquista espanhol, radicado em São Paulo, e foi morto aos 21 anos pelas forças de repressão aos movimentos reivindicatórios de direitos trabalhistas”.

    As manifestações da CUT, do PT e da Fundação Perseu Abramo aconteceram um dia antes de o Plenário do Senado Federal votar a proposta de reforma trabalhista, reforma que encontra severa oposição nestas três entidades, segundo José Celestino Lourenço, conhecido entre seus companheiros como Tino:

    “Mais do que nunca, estamos precisando manter vivos esse resgate e essa luta pelos direitos dos trabalhadores. Em 1917, a luta era pela sua conquista. Agora, em 2017, a luta é para que não percamos nossas conquistas e nossos direitos, conforme nos ameaça essa reforma trabalhista que tramita no Congresso Nacional. Estamos às vésperas do próximo Congresso Nacional da CUT, que será realizado em final de agosto, e o nosso lema será ‘100 anos depois a luta continua’”, destacou.  

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    Tags:
    entrevista, reforma trabalhista, greve geral, PT, CUT, Brasil
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