13:48 25 Setembro 2017
Ouvir Rádio
    Apenas um nome da lista de oito vai herdar missão espinhosa de Janot

    Quem vai herdar os abacaxis da Lava Jato?

    Marco Di Pietro/Secom Tocantins/Fotos Públicas
    Brasil
    URL curta
    663420

    Começaram nesta segunda-feira, 26, em São Paulo, os debates na Associação Nacional dos Procuradores da República que permitirão, até sexta-feira, a indicação de uma lista de três nomes ao presidente Michel Temer para substituir o atual procurador-geral, Rodrigo Janot, cujo mandato termina em setembro.

    Enquete

    O atual procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deveria permanecer no cargo?
    • Sim, ele está fazendo um ótimo trabalho no âmbito da Lava Jato.
      55.7% (934)
    • Não, está na hora de renovar.
      16.8% (282)
    • Tanto faz, tudo vai acabar em pizza.
      27.5% (461)
    Votaram: 1677
    Em entrevista à Sputnik Brasil, Carlos Eduardo Martins, cientista político e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lembra que, constitucionalmente, não há exigência que o presidente da República escolha um dos nomes da lista tríplice. Esse critério foi adotado, contudo, nas gestões dos ex-presidentes Dilma e Lula, que escolheram sempre o primeiro nome da lista. Seja qual for o indicado, Martins observa que seu sucessor terá o desafio de levar à frente as investigações da Lava Jato, que assumiram grandes proporções face à denúncia de envolvimento de nomes do primeiro escalão do governo Temer.

    "O Janot é uma figura polêmica. Se por um lado ele tem esse papel de questionar a figura do presidente Temer, por outro há uma série de ações dentro do seu mandato que se colocam em contradição com os procedimentos legais, como, por exemplo, o próprio acordo de delação premiada que foi feito com a JBS, um acordo que parece não guardar correspondência com a lei da delação. O perdão judicial parece incompatível, porque foi estabelecido como possibilidade para aqueles que são os primeiros a delatar e não os que são chefes de quadrilha", afirma o cientista político, ressaltando que é preciso olhar com cautela um certo corporativismo que existe dentro da PGR. 

    Concorrem ao cargo oito subprocuradores-gerais: Carlos Frederico Santos, Eitel Pereira, Ela Wiecko, Franklin da Costa, Mario Bonsaglia, Nicolao Dino, Raquel Dodge e Sandra Cireau. O mandato é de dois anos e a Constituição não prevê limite para recondução. O indicado, porém, deve passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e pela votação em plenário, onde deve obter maioria absoluta dos parlamentares. As campanhas para formação da lista tríplice se encerraram nesta segunda-feira.

    Mesmo não querendo fazer uma análise de quais nomes seriam mais cotados, Martins observa:

    "O governo Temer busca uma alternativa que lhe seja conveniente, e nesse sentido, o nome da Raquel Dodge parece um nome que é apoiado pelos peemedebistas ainda que todos os candidatos tenham dito que são a favor da apuração dos crimes cometidos na política brasileira. Na prática, vamos ver como a coisa vai se definir", diz Martins.

    Mais:

    Janot pede que Temer seja investigado por corrupção e obstrução da Lava Jato
    Procuradoria-Geral da República pede prisão de Aécio Neves
    Tags:
    abuso de poder, investigações, delação premiada, sociedade, governo, corrupção, Procuradoria da República, Congresso, PMDB, UFRJ, Carlos Frederico Santos, Eitel Pereira, Ela Wiecko, Franklin da Costa, Mario Bonsaglia, Nicolao Dino, Raquel Dodge, Sandra Cireau, Carlos Eduardo Martins, Michel Temer, Rodrigo Janot, Brasil
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik