05:51 19 Maio 2019
Ouvir Rádio
    Michel Temer comenta delações de Sérgio Machado

    Teria a Abin, a 'pedido' de Temer, espionado o relator da Lava Jato?

    Marcelo Camargo/Agência Brasil
    Brasil
    URL curta
    8 0 0

    “Inadmissível”. Foi assim que a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, definiu as suspeitas de que o colega de tribunal, ministro Edson Fachin, possa ter sido alvo de uma devassa por parte da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o serviço secreto brasileiro, a pedido do governo do presidente Michel Temer (PMDB).

    Reportagem da revista Veja, publicada neste sábado, cita um assessor de Temer como a fonte da informação de que Fachin – que é o relator da Operação Lava Jato no Supremo – teria sido alvo de espionagem. A vida pregressa do ministro, segundo a revista, teria apontado que ele teria até voado em um jato da JBS, empresa que colocou Temer no centro da crise política.

    Ainda segundo a Veja, a estratégia de Temer e seus assessores com tal espionagem seria colocar Fachin em descrédito, ajudando a pôr um ponto final nas investigações que estão em andamento contra o presidente da República.

    De acordo com Cármen Lúcia, tal prática é “própria das ditaduras” e “mais gravosa é ela se voltada contra a responsável atuação de um juiz, sendo absolutamente inaceitável numa República Democrática”, conforme informa a nota divulgada pela Corte.

    “Tem de ser civicamente repelida, penalmente apurada e os responsáveis exemplarmente processados e condenados na forma da legislação vigente. O Supremo Tribunal Federal repudia, com veemência, espreita espúria, inconstitucional e imoral contra qualquer cidadão e, mais ainda, contra um de seus integrantes, mais ainda se voltada para constranger a Justiça”.

    Além de defender a apuração das suspeitas denunciadas pela revista, a presidente do STF garantiu que “a Constituição do Brasil será cumprida e prevalecerá para que todos os direitos e liberdades sejam assegurados, o cidadão respeitado e a Justiça efetivada”.

    “O Supremo Tribunal Federal tem o inasfastável compromisso de guardar a Constituição Democrática do Brasil e honra esse dever, que será por ele garantido, como de sua responsabilidade e compromisso, porque é sua atribuição, o Brasil precisa e o cidadão merece. E, principalmente, porque não há outra forma de se preservar e assegurar a Democracia”.

    Quem também se manifestou diante da polêmica foi o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Manifestando “perplexidade” com o caso, ele criticou a “suposta utilização do aparato estatal para desmerecer um membro da mais alta corte do país, que tem pautado sua atuação com isenção e responsabilidade”.

    “A se confirmar tal atentado aos Poderes da República e ao Estado Democrático de Direito, ter-se-ia mais um infeliz episódio da grave crise de representatividade pela qual passa o país. Em vez de fortalecer a democracia com iniciativas condizentes com os anseios dos brasileiros, adotam-se práticas de um Estado de exceção”, disse, em nota.

    Governo nega espionagem contra Fachin

    Horas após a divulgação da reportagem, o Palácio do Planalto divulgou um comunicado para negar o teor da reportagem da revista. “O governo não usa a máquina pública contra cidadãos brasileiros, muito menos se envolve em qualquer ação que não respeito o que lei determina estritamente”, informou.

    Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sergio Etchegoyen, refutou qualquer possibilidade da Abin – esta subordinada à sua pasta – ter realizado operações de espionagem ou qualquer devassa na vida do ministro Edson Fachin.

    “Tenho certeza de que isso não aconteceu. Confio na Abin, nos profissionais da Abin e eles têm dado reiteradas mostras de seu profissionalismo”, declarou à publicação. Etchegoyen dizia ainda já ter entrado em contato com a presidente do STF para prestar esclarecimentos e negar o teor da reportagem da Veja.

    “A Abin faz um trabalho admirável, cumprindo o seu papel, apesar de todas as suas dificuldades e limitações. Não iria bisbilhotar ninguém. Não faria isso. Tenho certeza que não faria”, completou o general.

    Uma das lideranças da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) declarou neste sábado à Veja que pedirá que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue a suposta espionagem contra Fachin.

    Mais:

    Carta de Temer para Dilma vira samba na voz de músico carioca (VÍDEO)
    Gilmar Mendes descarta provas da Odebrecht no julgamento da chapa Dilma-Temer (AO VIVO)
    PF prende ex-assessor de Temer Rocha Loures
    Tags:
    cassação, Operação Lava Jato, corrupção, espionagem, JBS, Abin, PGR, STF, Sergio Etchengoyen, Randolfe Rodrigues, Rodrigo Janot, Cármen Lúcia, Luiz Edson Fachin, Michel Temer, Brasil
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar