10:18 12 Dezembro 2019
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    Junto com Pepe Mujica, do Uruguai, ex-presidente abriu o 6º Congresso Estadual do PT em São Paulo.

    Testemunhas de acusação começam a ser ouvidas em processo que investiga propina para Lula

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    Começam a ser ouvidas nesta segunda-feira (8) as testemunhas de acusação em um dos processos que investigam o ex-presidente Lula na Operação Lava Jato.

    De acordo com o Ministério Público Federal, Lula é acusado de receber propina da Odebrecht. A construtora teria pago vantagens indevidas ao ex-presidente através da compra de um terreno onde seria construída a sede do Instituto Lula, orçado em mais de R$ 12 milhões, além da compra de um apartamento vizinho ao do ex-presidente, em São Bernardo do Campo, no valor de R$ 504 mil. Este é o segundo processo contra Lula que tramita na Justiça Federal do Paraná.

    Entre as testemunhas que serão ouvidas estão o engenheiro Marcos Pereira Berti, ligado à empresa Toyo Setal, além de vários delatores da Lava Jato, como executivos da Odebrecht, da Toyo e da Camargo Corrêa, e os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Nester Cerveró, e o ex-senador Delcídio do Amaral. Os depoimentos de acusação devem seguir até o dia 7 de junho.

    Na próxima quarta-feira, dia 10 de maio, Lula vai ficar frente a frente com o juíz federal Sérgio Moro, coordenador da Operação Lava Jato.
    Lula vai prestar depoimento em outra ação que está em fase final de julgamento, onde é acusado de ser o verdadeiro dono de um triplex no Guarujá, em São Paulo.

    Segundo depoimentos de ex-executivos do grupo OAS, sendo um deles o arquiteto Paulo Gordilho, apontado como um dos responsáveis pela reforma do tríplex, o apartamento estava reservado para Lula. O arquiteto disse que também participou de uma reunião em São Bernardo do Campo (SP) para mostrar ao ex-presidente Lula e a dona Marisa Letícia os projetos da reforma do triplex e da cozinha de um sítio em Atibaia. Na ocasião, Gordilho contou que pagou pessoalmente R$ 170 mil para a empresa responsável pelo projeto do sítio, que é alvo de outra investigação. A defesa do ex-presidente Lula nega todas as acusações.

    Ao participar da abertura do 6º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, em São Paulo, na última sexta-feira (6), Lula se defendeu sobre as investigações da Lava Jato, após a divulgação do depoimento do ex-diretor de serviços da Petrobras, Renato Duque, que fez graves acusações contra o ex-presidente.

    Segundo Lula, os investigadores da Lava Jato não querem a verdade. O ex-presidente criticou que há dois anos vem sendo alvo de perseguição jurídica e de parte da mídia.

    "Amanhã prenderam o tal empresário, ele vai delatar o Lula. Amanhã o Lula vai ser preso. Faz dois anos que estou ouvindo isso. E se eles não me prenderem logo, quem sabe um dia eu mando prendê-los por mentira. Todo santo dia eu fico esperando alguém dizer esse Lula deve ter roubado muito, porque eles falam de um tríplex para tentar impressionar vocês, mas na verdade é como se fosse um Minha Casa, Minha Vida uma em cima da outra. Eu tenho ficado quieto porque vai ter o momento de falar. Eu já prestei seis depoimentos e eles não querem a verdade. Eles criaram um conceito nesse país, que eu não vou dizer para vocês, porque eu quero dizer no meu depoimento em que não tem argumento. Eles já estão com a tese pronta: O PT é uma organização criminosa. O Lula montou um governo para roubar até depois que ele saísse. Portanto, se o Lula é o Lula, ele era o chefe, então ele tem que saber de tudo."

    Um forte esquema de segurança será montado no dia 10 de maio para o depoimento do ex-presidente em Curitiba. Centrais sindicais e apoiadores do ex-presidente prometem presença para dar apoio. Já grupos contra Lula também afirmam que vão comparecem ao redor da Justiça Federal. Por isso, como medida de segurança, os grupos favoráveis e contrários a Lula vão ficar separados em pontos diferentes da cidade.

    Em suas redes sociais, o juíz Sérgio Moro postou um vídeo agradecendo o apoio dado as investigações da Lava Jato e ressaltou que o depoimento do ex-presidente é uma oportunidade de defesa, porém, que vai acontecer dentro da normalidade do processo. Sendo assim, o juíz pede que simpatizantes da Lava Jato não compareçam ao local para evitar confrontos e feridos.

    "Tudo que se quer evitar nessa data é alguma espécie de confusão e conflito e, acima de tudo, não quero que ninguém se machuque em eventual discussão ou conflito nessa data. Por isso a minha sugestão é não venham, não precisa, deixa a Justiça fazer seu trabalho, tudo vai ocorrer com normalidade e eu espero que todos compreendam."

    Outras medidas de segurança também serão adotadas, como a proibição de circulação de veículos de grande porte na área delimitada e o fechamento de ruas próximas ao prédio da Justiça Federal, além disso somente pessoas credenciadas vão poder circular no local.

    Ao todo, o juíz Sérgio Moro deve julgar seis pedidos de inquérito contra o ex-presidente Lula.

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    Tags:
    Lava Jato, OAS, Odebrecht, Paulo Gordilho, Sérgio Moro, Lula
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