14:53 23 Abril 2017
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    Mauricio Funes e a esposa brasileira Vanda Pignato

    Corrupção tipo exportação: Caixa 2 da Odebrecht financiou campanha em El Salvador

    Jose Cabezas/AFP
    Brasil
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    Os recursos de caixa 2 da Odebrecht foram utilizados não só para corrupção em obras públicas no Brasil, como também pelo PT dentro de seu projeto de apoiar moral e financeiramente governos de esquerda no continente, segundo avaliação do presidente da Sociedade Brasileira de Direito Internacional (SBDI), Antônio Celso Alves Pereira..

    O especialista em relações internacionais foi ouvido pela Sputnik Brasil repercutindo a delação premiada que João Santana, ex-marqueteiro do PT, fez na última terça-feira ao juiz Sérgio Moro, encarregado dos processos da Operação Lava Jato, em Curitiba. No depoimento, Santana revelou que existe uma tabela do Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, encarregada de pagamentos irregulares, no valor de R$ 5,3 milhões para apoiar a campanha do então candidato à presidência Mauricio Funes, que venceu Rodrigo Ávila, candidato pela Aliança Republicana Nacionalista (Arena), pondo fim a governos de direita em El Salvador após 20 anos. Santana também confirmou ao juiz ter trabalhado na campanha de Funes por determinação do PT.

    Funes, que governou de 2009 a 2014, encontra-se atualmente vivendo como exilado político na Nicarágua. Ele é casado com a brasileira Vanda Pignato, representante do PT para a América Central. Apesar da denúncia, pesquisa realizada em 2010 pela Consulta Mitofsky apontou Funes como o governante mais popular das Américas, com um índice de aprovação de 83% naquela ocasião.

    Para Antônio Celso, a participação de marqueteiros brasileiros, com apoio financeiro das empresas de construção civil brasileira, como a Odebrecht, é a expressão de um instrumento que foi utilizado nas gestões do PT e faz parte do projeto de política externa do partido para a América Latina: ajudar não só com apoio moral mas também financeiro criando condições para que os candidatos de esquerda pudessem vencer as eleições.

    "Esse apoio está sendo externado agora pelos delatores desse processo horrível, onde estão todos os políticos envolvidos, não só os de esquerda, como de direita e de centro. Uma coisa triste que acontece no Brasil hoje, toda corrupção aflorou. É um momento importante para o país, para fazer um trabalho de extirpar esse mal que tem destruído a economia brasileira e o país", diz o presidente da SBDI.

    Antônio Celso diz que esse apoio foi dado em El Salvador, no Peru e no Equador, embora de forma indireta, através de concessões de crédito para que esses países fizessem obras de infraestrutura, como no Porto de Mariel, em Cuba, com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES).

    "Todo esse processo é bastante suspeito porque trabalhando com Caixa 2. É preciso saber de onde veio esse dinheiro que alimentou o Caixa 2 para pagar a campanha em El Salvador.  Se éramos nós brasileiros que estávamos pagando isso através do superfaturamento das obras", diz o especialista.

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    Tags:
    partidos de esquerda, corrupção, empreiteiras, Caixa 2, eleições, América Latina, Odebrecht, Consulta Mikofsky, Sociedade Brasileira de Direito Internacional, BNDES, PT, Vanda Pignato, Antônio Celso Alves Pereira, Sérgio Moro, João Santana, Mauricio Funes, El Salvador, Brasil
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