03:12 23 Agosto 2017
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    Policiais civis invadem a Câmara dos Deputados

    Policiais prometem guerra em defesa do direito de greve

    Lula Marques/AGPT/Fotos Públicas
    Brasil
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    Em um dia de muita tensão no Congresso nesta terça-feira, 18, com o adiamento da apresentação do texto da reforma da Previdência, policiais civis, rodoviários e federais enfrentaram a polícia legislativa durante a invasão do prédio da Câmara, com direito a golpes de cassetete, gás de pimenta e lacrimogêneo e vidros quebrados.

    Cálculos da Polícia Militar estimavam a presença de mil policiais que protestavam, enquanto a União dos Policiais do Brasil (UPB) calculou que cerca de 150 manifestantes conseguiram entrar no prédio. O grupo tentava entregar uma carta ao deputado Arthur Maia (PPS-BA), relator da reforma. A Polícia Civil do Distrito Federal não se manifestou, não houve registro de atendimento médico a feridos, o presidente do Congresso, Eunicio Oliveira (PMDB-CE), disse lamentar o ocorrido e nota do Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal afirma que a proposta em tramitação no Congresso "é uma ameaça à sociedade e resultará em uma polícia cada vez mais envelhecida nas ruas". 

    A confusão nesta terça-feira no Congresso é mais um capítulo da reação que tanto policiais civis, federais, rodoviários, bombeiros, quanto guardas municipais e agentes penitenciários têm realizado contra as propostas de mudança na Previdência, com aumento do prazo de contribuição, ampliação da idade mínima e retirada de direitos. Luis Boudens, presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapev), foi uma dessas lideranças que esteve nesta terça-feira em Brasília para tentar convencer os parlamentares dos riscos que a sociedade vai correr em termos de segurança e da perda de direitos dos policiais. 

    Assim como a Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol), também a Fenapev tem se mobilizado depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional o direito de greve para policiais e servidores públicos da área de segurança. Os policiais civis planejam dois tipos de resistência. A primeira será com manifestações e a segunda com vistorias nas delegacias para examinar as condições de segurança de equipamentos, instalações e viaturas. Já o presidente da Fenapev faz uma advertência:

    "Esperamos que isso não seja uma retaliação por nosso trabalho de investigação nesse combate à corrupção. Se for isso, é bom deixar um alerta: nós não vamos parar, não vamos recuar nesse combate à corrupção."

    Antes de saber do adiamento da divulgação do texto da reforma, Boudens se preparava para acompanhar a leitura da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287, que retira a classificação "atividade de risco" das categorias policiais. Segundo o dirigente, na prática, isso acabaria por elevar o tempo mínimo de contribuição dos policiais, "que tem uma expectativa de vida inferior ao do resto do funcionalismo público".

    "Ao anunciar que o governo teria fechado a idade mínima de 60 anos para os policiais, na verdade o governo não fez nenhum reconhecimento a esse trabalho de segurança pública. O ideal seria recuar nessa questão de estabelecer uma idade mínima, que hoje não existe, e voltar a negociar com os policiais como seria feita essa distinção. Não tem como separar segurança pública e polícia em duas ou três, é um todo de segurança pública que opera na esperança de um Brasil melhor|", diz o presidente da Fanapev, que acusa o relator da proposta de ter sido omisso também em relação às pensões.

    Boudens diz que a esperança da categoria é que o Congresso reveja essa situação, seja retirando os policiais da proposta, seja refazendo essa posição do ponto de vista da segurança pública. 

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    Tags:
    justiça, direitos, sociedade, reforma da previdência, protestos, segurança pública, Supremo Tribunal Federal (STF), Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol), Polícia Militar, União dos Policiais do Brasil (UPB), Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapev), Congresso, Luis Boudens, Arthur Maia, Eunício Oliveira, Brasil
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