03:20 23 Agosto 2017
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    A família da estudante diz que o corpo da jovem tinha quatro marcas de perfurações à bala

    Família de jovem que morreu baleada na escola acusa Polícia de executar Maria Eduarda

    Reprodução/Facebook
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    Familiares da jovem Maria Eduarda Alves da Conceição, de 13 anos, que morreu após ser baleada dentro da Escola Municipal Jornalista Daniel Piza, em Fazenda Botafogo, na Zona Norte do Rio acusam policiais militares de executarem a adolescente.

    Durante o reconhecimento e liberação do corpo da irmã para o enterro nesta sexta-feira (31), um dos seis irmãos da estudante, Uidison Alves denunciou que o corpo da Maria Eduarda apresentava quatro marcas de perfurações à bala, não se tratando de uma situação de bala perdida, onde só acontece um tiro. Segundo o irmão, a menina tinha duas marcas de tiros na cabeça, sendo que somente um a perfurou e mais uma marca de tiro na nádega.

    "Foi uma execução. Eles executaram dois meliantes e ainda executaram a minha irmã, quatro perfurações."

    Um vídeo, que circula na internet, mostra os policiais militares executando dois homens em Acari, na Zona Norte do Rio, em uma região próxima ao colégio onde estava Maria Eduarda. Nas imagens, os policiais atiram em dois homens caídos no chão, ambos estavam desarmados e feridos e ainda se mexiam, quando os policias fizeram os disparos com fuzis. Os dois PMs foram presos em flagrante quando prestavam depoimento na Divisão de Homicídios da capital e autuados por homicídio qualificado.

    O diretor da escola, Luis Menezes disse que quando Maria Eduarda foi baleada não estava acontecendo confronto ou operação no local e todos foram surpreendidos.

    "Não havia operação no momento. Na verdade, foi um dia tranquilo na normalidade da escola. Abrimos a escola às 07h30 no primeiro turno, funcionamos no segundo turno a partir de 13h e até aquele momento não havia nada. De repente por volta das 16h começa esse tiroteio, que ainda não tínhamos informação do que estava acontecendo. Não vimos naquele momento nenhum blindado da Polícia Militar, não existia naquele momento nenhum blindado."

    Em seu perfil na internet Maria Eduarda era uma jovem sempre sorridente e fazia poses divertidas nas fotos
    Reprodução/Facebook
    Em seu perfil na internet Maria Eduarda era uma jovem sempre sorridente e fazia poses divertidas nas fotos

    A jovem Maria Eduarda morreu enquanto fazia aula de educação física, pois era atleta de basquete da escola. Segundo o diretor Luis Menezes, a jovem estava sendo transformada pela educação e o esporte. O colégio está fechado. Emocionado, o professor não sabe quando as aulas serão retomadas, pois todos estão muito abalados.

    "Vai ser uma semana, que primeiramente nós vamos nos reunir para refletir, para celebrar a vida da Maria Eduarda. Celebrar a vida desses jovens que nós cuidamos com tanto afinco e carinho. Estamos naquela comunidade porque acreditamos que é possível fazer um trabalho sério e que dê uma perspectiva melhor para aquela garotada, como a Maria Eduarda tinha. Ela chegou na escola como uma menina até rebelde, mas que se transformou e que a educação e o esporte, estava transformando aquela menina em uma pessoa cada vez melhor."

    O porta-voz da Polícia Militar, major Ivan Blaz também afirmou nesta sexta-feira (31) que não havia operação policial na Fazenda Botafogo, onde a estudante morreu baleada dentro da escola. De acordo com o major Blaz, a Polícia foi chamada pelo serviço de atendimento 190 para intervir em ação de marginais, que estavam praticando crimes na região, o que resultou no confronto com os suspeitos. 


    Tags:
    segurança, morte, violência, estudante, execução, acusação, PMERJ, Ivan Blaz, Luis Menezes, Uidison Alves, Maria Eduarda Alves da Conceição, Rio de Janeiro, Fazenda Botafogo, Brasil
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