23:55 21 Novembro 2019
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    Após rebelião Líderes da facção do PCC de Natal são transferidos para penitenciária federal

    Proposta de medidas mais rigorosas em presídios brasileiros gera polêmica

    Divulgação PC/ASSECOM
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    Terminou em polêmica e muita discussão o encontro na Comissão Especial na Câmara, em Brasília, que analisa o Regime Penitenciário de Segurança Máxima no Brasil por causa da proposta que pede medidas mais rigorosas nas cadeias do país.

    O projeto prevê a proibição de comunicação entre os detentos, bem como a proibição de entrega de alimentos e bebidas pelos parentes  e o uso de aparelhos eletrônicos. Também é sugerido no texto, a filmagem de visitas de familiares, onde o preso e o visitante devem ficar separados através de uma cabine de vidro e a comunicação se daria apenas pelo interfone.

    A preocupação sobre as condições do sistema penitenciário brasileiro ganhou destaque desde o final do ano passado após as diversas rebeliões em presídios do Norte e Nordeste do país, que resultaram na morte de 120 presos.

    Para o deputado Subtenente Gonzaga (PDT-MG), que pediu o debate na Comissão, um regime mais duro de fiscalização vai ajudar a desarticular os presos mais criminosos, que mesmo presos continuam atuando no país.

    "Entendemos sim que o regime disciplinar diferenciado ajuda muito na contenção desses criminosos que se organizam e são violentos."

    Convidado para a reunião, o presidente do Conselho Penitenciário de Minas Gerais, Bruno César da Silva rebateu o deputado Subtenente Gonzaga, afirmando que o problema de rebeliões nos presídios está ligado essencialmente a má gestão do Estado. "Para que ela tenha efetividade, assim como para qualquer outra norma de execução penal tenha efetividade, é preciso que o Estado esteja presente. Então essa proposta de alteração normativa a qual eu tenho restrições, não teria o condão de resolver o problema de rebeliões, que é um problema essencialmente de gestão."

    Já o deputado Dagoberto Nogueira (PDT-MS) alerta para as dificuldades cada vez maiores de recuperação e controle de presos no sistema penitenciário ao longo dos anos, por conta da organização das facções. Para o deputado são necessárias mudanças mais efetivas.

    "De uns 10 ou 15 anos pra cá, nós tivemos essa questão dos crimes organizados, das facções dos crimes organizados dentro dos presídios. Isso mudou todo o sistema de presídios. Hoje eles mandam no presídio. Há trinta anos você conseguia recuperar o preso, hoje você não consegue fazer mais isso."

    A proposta de medidas mais rigorosas em presídios brasileiros já tramita em regime de prioridade. Antes de seguir para a votação no Plenário, o texto ainda será analisado pela Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

     

    Tags:
    presídios, segurança, rigor, projeto de lei, Câmara dos Deputados, Comissão Especial sobre Regime Penitenciário de Segurança Máxima no Brasil, Bruno César da Silva, Dagoberto Nogueira, Subtenente Gonzaga, Brasil
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