15:45 21 Outubro 2017
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    Eu exijo um mínimo de cultura, bom trato, respeito. Não me submeto ao que eu não quero, afirma Cláudia de Marchi

    Da advocacia a acompanhante de luxo, brasileira é sucesso internacional

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    A história da brasileira Cláudia de Marchi, de 34 anos, que deixou para trás a carreira de mais de 10 anos como advogada e professora universitária de direito constitucional e se tornou acompanhante de luxo, em Brasília tem sido destaque na imprensa internacional após descrever a rotina profissional em um blog.

    Nascida em  Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, filha de um caminhoneiro e de uma dona de casa, Cláudia de Marchi contou em entrevista exclusiva para a Sputnik Brasil, que se formou em direito em 2005, e em seguida com a separação dos pais se colocou na tarefa de se tornar arrímo de família, para ajudar a mãe. Ao longo dos anos abriu e se desfez de uma sociedade em um escritório de advocacia, pois se casou e foi para outra cidade, depois se divorciou e ao retornar a cidade natal, se viu enfrentar novos desafios para se firmar na carreira novamente como advogada, entre eles o de lidar  com o machismo na profissão.

    Citando Nietzsche, a ex-advogada diz em página na internet:O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte.
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    Citando Nietzsche, a ex-advogada diz em página na internet:"O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte."
     

    A mudança de vida aconteceu em 2016 após total decepção profissional. Cláudia perdeu o emprego no escritório de advocacia e na faculdade onde lecionava na cidade de Sorriso, no Mato Grosso, o que a colocou em situação financeira difícil. Outro motivo foram as desilusões amorosas, em relacionamentos onde no início os homens eram príncipes e depois se tornavam sapos. Determinada, Cláudia foi para Brasília em abril do ano passado e deu início a nova carreira.

    "Eu fui demitida sem justa causa legal, como sem explicação alguma no início de um ano letivo, ou seja, eu tinha financiamento da casa onde eu morava e tudo ficou sem condições. Além desse fato revoltante, teve ainda alguns outros obstáculos como relacionamentos afetivos em que eu vivi, onde os homens sempre pareciam lordes e depois vinha o egoísmo, o comodismo, a certeza de que você é minha.Após refleti sobre o que eu gosto, cheguei a conclusão de que o sexo sempre foi, em todo relacionamento afetivo que eu vivi, a cereja do bolo, e que o direito era muito sazonal, machista e aquilo me cansou."

    Segundo Cláudia,viver é bom, mas não se adequar à paradigmas e superar aos manipulados, acomodados e entediados é melhor ainda.
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    Segundo Cláudia,"viver é bom, mas não se adequar à paradigmas e superar aos manipulados, acomodados e entediados é melhor ainda."

    Fã da escritora Simone de Beauvoir e do pensador Nietzsche, Cláudia de Marchi deixa claro em suas redes sociais que é acompanhante, mas faz várias exigências na hora de escolher um cliente.

    "Eu exijo um mínimo de cultura, bom trato, respeito. Não me submeto ao que eu não quero. Eu termino pela minha imposição e pelo meu jeito, que desagrada inúmeros homens machistas e misóginos que existem por aí, mas eu cativo uma clientela totalmente diferenciada de homens formidáveis e fieis. Não especificamente na cama, como no trato, na inteligência e na cultura. Eu tenho o meu direito de escolher."

    A ex-advogada e professora universitária cobra de R$ 600 a R$ 4 mil e é bem criteriosa na escolha dos clientes.
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    A ex-advogada e professora universitária cobra de R$ 600 a R$ 4 mil e é bem criteriosa na escolha dos clientes.

    Ter a companhia da ex-advogada custa em média entre R$ 600 por hora até R$ 4 mil por um dia, além disso ela ainda deixa claro que cliente que pechincha não tem vez. "Eu não sou banana sendo vendida na feira para ter que ouvir gente pechinchando. É o meu trabalho, minha companhia, meu intelecto e meu corpo e não aceito quem ouse pechinchar, porque vai virar piada em rede social."

    Através da criação de um blog a acompanhante aproveita ainda para conquistar mais clientes. Lá, ela relata em um diário as aventuras picantes com os homens que sai e fala sobre suas experiências na profissão, através de crônicas e textos. "Nesse diário eu narro minhas experiências com os meus clientes novos ou assíduos. O bom disso, que o cara inteligente que não está dentro dos 92% dos analfabetos funcionais que temos no Brasil, ele vai ler e já saberá o que eu gosto ou não e minha postura, chegando com a lição de casa feita. Já as crônicas estão voltadas para mulheres casadas, e mulheres que querem ingressar nessa carreira e que me procuram muito."

    Como conselheira, Cláudia faz um alerta para as novatas.

    "Só digo que desespero não é um bom conselheiro e que para ser acompanhante de luxo você tem que ter maturidade, para não terminar se tornando uma garota de programa de nível baixo e que topa tudo por dinheiro e fama, queimando a imagem de todas as outras, como se todas fossem pecadoras, contrariando qualquer união e moralidade de classe."

    Sobre a reação de sua família e amigos, a cortesã diz que recebeu total apoio dos pais. "Dos meus familiares que me importam e que me amam eu tenho total apoio. Sou muito unida com minha família materna. Os outros não importam e eu ignoro."

    A nova profissão também não atrapalha a vida amorosa da acompanhante, que no momento, diz que não procura na nova função um casamento. No momento sua prioridade e a independência. "Isso não é prioridade. Se eu quisesse encontrar marido eu continuava dando aulas e advogando. Eu não passava fome fazendo isso e sempre fui muito competente e dedicada. Estou nesse trabalho por total independência. Eu me divirto e gosto do que eu faço. Tenho minha independência financeira. Não estou atrás de marido e nem aconselho a ninguém se tornar acompanhante para isso. Amor não é um objetivo para mim."

    Eu me divirto e gosto do que eu faço.Não estou atrás de marido e nem aconselho a ninguém se tornar acompanhante para isso, afirma a ex-advogada
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    "Eu me divirto e gosto do que eu faço.Não estou atrás de marido e nem aconselho a ninguém se tornar acompanhante para isso", afirma a ex-advogada

    Diante de toda a repercussão de sua vida internacionalmente, onde já foi citada por jornais no Reino Unido, Sri Lanka, México e Bélgica, às véspera do Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, a ex-advogada faz questão de deixar um recado para as mulheres.

    "Eu gostaria de deixar uma mensagem para as mulheres, sejam elas de qualquer ramo de trabalho, que é que temos de ser felizes conosco. Não vale a pena fazer absolutamente nada para agradar qualquer pessoa que seja, incluindo namorado, marido, cliente. Temos que nos empoderar e nos amar. Não podemos deixar nossa dignidade de lado para agradar, primeiro porque o parceiro vai saber que é só para agradar e ainda assim vai trair e segundo porque ninguém que se goste realmente precisa abrir mão das suas vontades em prol do outro."

    Cláudia de Marchi ainda ressalta que a palavra de ordem entre as mulheres deve ser união e respeito: "Temos que julgar menos umas as outras, nos unirmos mais para conseguirmos vencer toda essa sociedade machista e calhorda, que se vale da rivalidade feminina para que os homens se mantenham na sociedade patriarcal em um nível acima do nosso."

     

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