14:41 14 Agosto 2020
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    O discurso nacionalista para a economia americana, defendida pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, já começa a surtir efeitos. A Ford, que trabalhava na instalação de uma grande unidade no México, recuou e anunciou que o investimento será feito nos EUA.

    A Toyota manteve os planos de abrir uma unidade no país vizinho,e já foi avisada pelo republicano que ele vai criar um imposto pesado de importação caso a montadora japonesa não reveja o local do novo projeto.

    Aqui na América do Sul, o Paraguai vem utilizando com sucesso uma política de atração industrial que já retirou 124 indústrias do Brasil desde 2014, criando 11.300 empregos lá. O segredo do sucesso é simples: cobrança de apenas 1% de imposto para companhias que destinarem à exportação 100% da produção. 

    Sem uma política agressiva de atração de indústrias, o Brasil mal consegue manter as atuais devido ao quadro de recessão em que se encontra a economia há dois anos.

    Paulo Petrassi, diretor da Leme investimentos, diz, porém, que a fórmula adotada pelo Paraguai não se aplica no Brasil.

    "O Brasil tem outros problemas. Está com a política industrial e de incentivos errada desde o governo passado que acabaram culminando nessa tragédia econômica que vemos aí, com dois anos seguidos de queda de PIB, de 3,5%, e uma indefinição ainda muito grande para esse ano. O Brasil tem que acabar com a política de escolher as campeãs em determinados setores, e isso já está sendo feito, diminuir a carga tributária — apesar de ser muito difícil fazer isso agora em função da queda do PIB — e tem que cair os juros. Estamos na semana do Copom. Seria muito gratificante ver o Banco Central acelerar a queda para 0,75 ponto-base para incentivar a economia e a indústria, que cai 7% ano a ano."

    Para Petrassi, é preciso que o país reconquista a confiança do investidor estrangeiro e com isso permita o crescimento da indústria e do emprego. Na visão do consultor, o presidente Temer está no caminho certo, tomando medidas duras no âmbito fiscal. 

    "A equipe do Banco Central é muito boa, apesar de achá-la um pouco conservadora demais, mas ainda é muito cedo para falar em protecionismo. Acho que esse não é o caminho. É preciso trazer confiança ao empresariado para que volte a investir na produção e não apenas nas taxas de juros astronômicas. Infelizmente essa distorção de imposto vai continuar. Temos imposto muito alto no Brasil e muito baixo no Paraguai, e os produtos vão para lá e voltam. Isso tende a diminuir com o crescimento da economia brasileira. Vamos torcer para que esse ano a gente tenha um PIB positivo. Há dúvida se vai ser zero, meio, 0,7%."

    O diretor da Leme Investimentos diz que o estrago feito pela gestão passada foi muito grande, e a solução vai levar mais de um ano até mesmo pela situação fiscal dramática em que o Brasil se encontra. 

    "Infelizmente o Trump ainda é uma incógnita, e a gente ainda vai sofrer um pouco na mão dele. Ele vai mudar a dinâmica da política americana e influenciar muitos países. Vamos ver de que maneira isso vai afetar o Brasil."


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    Tags:
    fábricas, protecionismo, juros, concorrência, custos, produção, Leme Investimentos, Copom, Banco Central, Paulo Petrassi, Michel Temer, Donald Trump, EUA, Paraguai, Brasil
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