00:39 26 Setembro 2017
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    Centrais sindicais divergem sobre benefícios da minirreforma trabalhista anunciada pelo Governo

    Centrais sindicais divergem sobre mudanças trabalhistas

    Rovena Rosa/Agência Brasil
    Brasil
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    Após o anúncio da minirreforma trabalhista do Governo, as cinco maiores centrais sindicais do Brasil entraram em divergência quanto aos benefícios e prejuízos das medidas para os trabalhadores.

    As centrais Força Sindical e a CSB, a Central dos Sindicatos Brasileiros comemoraram e elogiaram o pacote. 

    O secretário-geral da Força Sindical, Carlos Juruna disse ser positiva a valorização do acordo coletivo, exaltando a possibilidade de mais diálogo entre trabalhadores e patrões.

    "Esse passo é importante para o diálogo, fortalecendo a presença sindical dos trabalhadores no ambiente de trabalho. Eu creio que fará com que o diálogo trabalhadores e empresários com certeza diminuirá os processos trabalhistas."

    Também celebrando a minirreforma trabalhista, o presidente da CSB, Antônio Neto disse que todas as medidas anunciadas pelo governo estavam sendo negociadas há cerca de 3 meses com eles. "Nós vínhamos negociando isso há mais de 60, 90 dias. Este e um texto que nós já amalgamou, mastigou junto, geramos juntos essas possibilidades. Isso nós defendemos."

    Outros sindicalistas, no entanto, encaram as mudanças com cautela. O presidente da Nova Central, José Calixto criticou que o governo não apresentou as propostas com antecedência e afirmou que as  mudanças não são exatamente um presente para o trabalhador.

    "Na verdade, não estamos recebemos como presente. Você vai trabalhar 10 horas em um lugar, 10 horas em outro, como é que fica isso? São coisas profundas para o trabalhador discutir. Eu não esperava isso. Eu esperava uma coisa mais positiva para nós, mais pé no chão."

    Ainda segundo José Calixto, a Central vai ser reunir no dia 11 de janeiro para analisar as medidas e tomar uma posição.

    Compartilhando da mesma opinião,  o presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Ricardo Patah ressaltou que para que o trabalhador não seja prejudicado será preciso mudar pontos no projeto de lei. Para Ricardo, o fato de não ser uma medida provisória é positivo pois, a reforma trabalhista ainda pode ser alterada no Congresso. "Bomba de Natal já não é mais, ela foi desativada. Presente de Natal também não podem exagerar que seja. Nós temos que realmente negociar, valorizar a negociação coletiva, que é o espírito mais importante do movimento sindical, só que tem que tem algumas regras, para que não saiam situações que vão prejudicar o trabalhador."

    Em suas redes sociais, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) fez duras críticas a reforma trabalhista anunciada pelo governo.  A CUT classificou "como ineficaz, inoportuno e autoritário o projeto."

    Segundo o presidente da CUT, Vagner Freitas, a medida é um pacote de maldades e não vai resolver a grave situação política, econômica e institucional que o país atravessa, e  inoportuno, por ter sido apresentada em um momento de instabilidade política, social e institucional e às véspera do Natal.

    "Além de não atacar a estagnação econômica, a crise da indústria e o desemprego que atinge milhões de famílias, não propõe a criação de empregos. É típico de um governo sem nenhuma credibilidade, que está com popularidade semelhante à de (Fernando) Collor quando assumiu a presidência, confiscando a poupança dos trabalhadores. Está totalmente fora da realidade e não terá efeitos positivos; teria de ter sido apresentado em um outro momento, e não às vésperas do Natal, acabando com o fim de ano dos trabalhadores", criticou. 

    Para a CUT, a maioria dos trabalhadores está desprotegida, pois estão sem sindicatos ou com sindicatos fracos, o que poderia prejudicar funcionários em uma negociação direta com os patrões.

    A Central ainda negou, ao contrário do que disse o presidente Michel Temer à imprensa, que a CUT não foi chamada e tampouco negociou o pacote com o governo.  

    Tags:
    Centrais sindicais, divergências, críticas, reforma trabalhista, Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Nova Central Sindical de Trabalhadores, CSB, Força Sindical, Vagner Freitas, Ricardo Patah, José Calixto, Antônio Neto, Carlos Juruna, Brasil
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