18:55 14 Dezembro 2017
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    Redes sociais se tornam o pesadelo de Temer

    Antonio Cruz/Agência Brasil
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    Após a coletiva de imprensa no último domingo, 27, com o presidente Michel Temer, o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a popularidade do presidente da República despencou nas redes sociais, segundo levantamento realizado pela empresa Rijpar.com.

    No pronunciamento na TV, Temer tentava explicar o imbroglio no ministério que envolveu o ministro da Cultura, Marcelo Calero, e o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, a respeito da construção de um prédio de luxo em Salvador  que acabou custando a demissão de ambos. O levantamento da Rijpar.com foi realizado nas redes sociais durante e logo após o pronunciamento de Temer.

    As fontes utilizadas foram os acessos ao Facebook, Twitter, Instagram, YouTube, Google+, Messenger, Linkedln, Pintrest, Whatsapp, Snapchat e até a mídia social russa Vk. Só no Facebook foram computados 3,87 milhões de posts e comentários. Nas mensagens postadas, 57,6% foram de mulheres e 42,3% de homens.

    O levantamento comparou o pronunciamento de Temer no último domingo com o do dia 27, quando defendia a necessidade de o Congresso aprovar reformas como a do PEC que limita por 20 anos os gastos públicos, a reforma da Previdência e a trabalhista. Os números impressionam. A reprovação ao discurso passou de 48,7% no dia 25 para 53,7% no dia 27, enquanto os que aprovaram diminuíram de 12,9% para 11%. 

    Para Nilson Mello, sócio-diretor da Consultoria Meta e Comunicação, empresa que atua há 20 anos no ramo de análise de marketing político, os números são significativos e mostram que o eleitor chegou a um limite de tolerância em relação aos governantes.

    "O governo Temer, pelas circunstâncias em que ascendeu à presidência, tem uma margem de erro muito pequena. Essa sociedade que tem uma posição crítica, principalmente em relação aos episódios da Lava Jato e desvios no governo, está com um limite de tolerância muito baixo. Quando um governo demora a agir em função de um episódio como esse e só age depois de uma reperscussão negativa, é natural que essa opinião pública, já muito crítica, tenha uma reação instantânea. Agora temos uma grande manifestação marcada para o dia 4 (de dezembro). Vamos ver como ela se dará em relação ao governo Temer."

    Mello observa que a atual gestão se encontra sub judice por todas essas circunstâncias, e o que se pode ter de esperança no atual contexto é que tudo isso seja um ponto de inflexão na história do Brasil para que se alcance um outro patamar de atividade pública e política com maior compromisso com as reais demandas do eleitorado. 

    Com relação aos números apresentados pelas redes sociais e as tradicionais pesquisas de opinião dos institutos, o consultor diz que é difícil julgar com absoluto rigor científico se há discrepâncias, embora nas redes sociais esse termômetro seja mais fidedigno do que as pesquisas tradicionais. Segundo Mello, o grande desafio é saber aferir o humor do eleitorado fundindo as duas coisas: que ferramentas podem ser usadas nas pesquisas convencionais que aproximem o resultado da maior sensibilidade vista nas redes sociais. 

    "Tudo tem um lado bom. É importante ter consciência que as coisas não aconteceram por acaso. Houve um processo de impeachment dentro da legalidade. Democracia dá trabalho, não tem solução pronta. É preciso uma reforma política, mas sabendo que ela não vai resolver os problemas da noite para o dia, até por que nenhum modelo é perfeito." 

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    denúncias, desaprovação, redes sociais, popularidade, pesquisa, presidência, VKontakte, WhatsApp, Linkedln, Messenger, Google, YouTube, Instagram, Twitter, Facebook, Consultoria Meta e Comunicação, Ministério da Secretaria de Governo, MEC, Geddel Vieira Lima, Marcelo Calero, Nilson Mello, Michel Temer, Brasil
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