05:23 22 Fevereiro 2018
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    STF quer saber quem retirou documentos da CPI dos Correios

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    O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes determinou que a Polícia Federal investigue vídeos que mostrariam a retirada de documentos da CPI Mista dos Correios, transportados para o arquivo do Senado em maio deste ano.

    A medida faz parte da investigação sobre o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e presidente nacional do partido acusado de inúmeras ganhos ilícitos na delação feita pelo senador cassado Delcídio do Amaral (sem partido-MT). O objetivo da investigação determinada pelo STF À PF é identificar os servidores que transportaram os documentos até o arquivo do Senado.  

    Segundo depoimento de Delcídio à Justiça, Aécio teria participado de uma maquiagem em dados sobre o Banco Rural enviados à CPI dos Correios em 2005. A estratégia, ainda segundo o senador cassado, era ocultar a existência de um mensalão mineiro durante os trabalhos da CPI, que investigava o mensalão do PT. À época, Delcídio era presidente da CPI.

    Para a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), o Brasil vive dias difíceis em um momento de restrição da democracia e de um atentado profundo ao estado de direito. 

    "Afirmo isso com muita convicção e me valendo de declarações até de membros do poder judiciário. O ministro Lewandowski, que até então era presidente do STF e que dirigiu a sessão de julgamento da presidenta Dilma, veio a público, logo após o episódio e disse que houve um tropeço da democracia." 

    A parlamentar comemora a decisão de Gilmar Mendes, mas diz que há uma tendenciosidade muito forte por parte de alguns membros do poder judiciário que seguem com muita agilidade em alguns processos, mas com muita morosidade em outros. 

    "Se o ministro Gilmar Mendes determina que seja feita uma perícia na mexida de documentos de uma CPI a mando de um senador isso é fundamental agora. O que eu questiono é: por que não foi feito isso antes? E importante esse tipo de ação para que as investigações possam seguir."

    Nesta terça-feira, em Tóquio, o presidente Michel Temer minimizou denúncias da Odebrecht contra o ministro Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo; Moreira Franco, secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos: e  Romero Jucá, presidente do PMDB. Segundo Temer, “se a cada momento que alguém mencionar o nome de alguém isso passa a dificultar o governo, fica difícil”.

    Para a senadora Vanessa, a fala do presidente revela dois pesos e duas medidas. 

    "Tiraram uma presidenta da República, e uma das questões que levantaram era que era um governo completamente desgovernado, responsável por toda a corrupção. E isso contra uma presidenta que nunca teve seu nome citado em denúncia nenhuma, o que não acontece com esse atual presidente, cujo nome aparece em várias citações e delações. É óbvio que ele tem que utilizar esse caminho. Se ele disser e agir agora como agia na época da Dilma, não só ele vai ter que demitir todos os seus ministros, mas ele vai ter que sair também."

    A senadora lembrou também que, entre as manchetes dos jornais desta terça-feira, está a que cita o ministro dos Esportes, Leonardo Picciani, suspeito de lavagem de dinheiro simulando venda superfaturada de gado a uma empreiteira envolvida na Lava Jato. 

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    poder judiciário, lavagem de dinheiro, documentos, Operação Lava Jato, CPI Correios, PSDB, PMDB, PCdoB, Odebrecht, Leonardo Picciani, Dilma Rousseff, Romero Jucá, Moreira Franco, Geddel Vieira Lima, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Vanessa Grazziotin, Delcídio do Amaral, Aécio Neves, Brasil
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