17:55 23 Outubro 2019
Ouvir Rádio
    Ensino medio

    Para professora, reforma do ensino médio vai aumentar divisão entre ricos e pobres

    Alessandra Coelho/Prefeitura Municipal do Rio/Divulgação
    Brasil
    URL curta
    5131
    Nos siga no

    A proposta de reforma do ensino médio continua gerando uma grande polêmica desde que foi anunciada pelo governo na última quinta-feira, 21. Pouco mais de 24 horas depois que o Senado colocou o tema em consulta pública na internet, foram mais de 42 mil pessoas se posicionando, 40.198 contrários à mudança e apenas 1.784 favoráveis.

    Um dos pontos mais discutidos da proposta é a retirada de educação física, artes, sociologia e filosofia da grade de ensino obrigatória. A medida provisória propõe flexibilização do  currículo, com 50% da carga horária — que vai ser aumentada para sete horas com adoção facultativa por parte das escolas — dedicada ao conteúdo determinado pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), ainda em discussão no ministério. Nos outros 50% do tempo, o aluno poderá escolher entre outros “itinerários formativos” com ênfase em cinco áreas de conhecimento: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica e profissional.

    Para garantir que escolas aceitem aderir à carga diária de sete horas, o governo vai oferecer financiamento de R$ 1,5 bilhão para que os governos estaduais ampliando o número de alunos estudando em suas redes em tempo integral. A meta é alcançar 500 mil estudantes em dois anos, tendo 25% do ensino médio em tempo integral até 2024.

    As propostas, contudo, têm sido duramente criticadas por educadores. A coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro, Marta Moraes, afirma que os profissionais de educação no Estado do Rio e no Brasil inteiro estão insatisfeitos e indignados com essa reforma. 

    "Primeiro pela maneira como está sendo feita, e o resultado do Senado mostra a impopularidade dessa medida, porque não ouviu os principais interessados: os profissionais de educação e a comunidade escolar. Parece que é tirar da cartola algo novo, mas que é um retrocesso. O governo fala em aumentar a carga horária para sete horas, num momento em que os estado estão falidos por malversação de verbas ou por qual razão for. É o tipo de medida que não se diz como vai ser feita, de onde virá o dinheiro."

    Uma das principais críticas da coordenadora é a forma pela qual as mudanças estão sendo formuladas, e também a retirada de matérias que ela considera vitais para a formação do aluno.

    "Primeiro eles falaram na extinção dessas disciplinas, mas como a reação foi muito grande aí o discurso já mudou. Queremos ver esse documento e, mais que tudo, queremos ter acesso a essa discussão. Defendemos uma formação geral para nossos alunos, uma verdadeira formação que garanta o saber e não uma formação para mercado, para aqueles que têm condições financeiras e para aqueles que não têm, uma formação que divida pobres e ricos."

    Segundo Marta, a reforma vai aprofundar divisões nas classes sociais.

    "Uma coisa que a gente pergunta nesse tipo de medida: na escola em que o filho do ministro estuda, na escola em que o filho do presidente estuda essa formação é assim separada? É essa formação preparando para o mercado. Uma formação que não amplia o horizonte desse aluno? Queremos fazer essa debate com a sociedade e dizer não a essa medida provisória, que é mais uma medida impopular desse governo. Os profissionais de educação não vão aceitar", diz a coordenadora, lembrando que no dia 20 de outubro será realizado um seminário onde esse tema será debatido com a Academia Brasileira de Letras (ABL) e os profissionais de educação da rede.

    "A medida apresenta um doce, que é o aumento da carga horária, quando a gente sabe que a realidade é outra. A gente precisa que nossas escolas tenham manutenção. Nossos alunos estão estudando sem condições mínimas de limpeza, sem merenda, e aí vem se falar em reforma do ensino médio. Isso é um descaso com a sociedade, é de um autoritarismo e absoluto desrespeito com os profissionais de educação."

    Mais:

    Reforma do Ensino Médio do Governo Temer gera críticas no país e divergências no Senado
    Protestos contra reforma da educação resultam em confrontos com a polícia
    Tags:
    classes sociais, governos, disciplinas, reforma do ensino, merendas, escolas, Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro, ABL, Ministério da Educação, Marta Moraes, Brasil
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar