22:23 28 Fevereiro 2020
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    A reunião da cúpula do G-20 encerrada esta semana na China revelou um movimento diplomático interessante por parte do Brasil. A comitiva do presidente Michel Temer procurou a todo momento buscar espaço na agenda de encontros com os grandes dirigentes das empresas chinesas no sentido de promover maior troca comercial e atrair investimentos.

    A reunião da cúpula do G-20 encerrada esta semana na China revelou um movimento diplomático interessante por parte do Brasil. A comitiva do presidente Michel Temer procurou a todo momento buscar espaço na agenda de encontros com os grandes dirigentes das empresas chinesas no sentido de promover maior troca comercial e atrair investimentos. A ênfase na busca por negócios com a China poderia representar, a médio prazo, um interesse menor com os outros parceiros do Brasil nos BRICS (Rússia, índia e África do Sul)?

    A iniciativa, também seguida pelo presidente da Argentina, Maurício Macris, não escapou à observação dos analistas que concordam em um ponto: diante das dificuldades de suas economias, Brasil e Argentina dependem mais do que nunca de recursos chineses para reativar seu crescimento.

    Quem concorda com essa estratégia de aproximação é Maurício Santoro, professor de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que detecta, neste início de governo Temer, uma preocupação muito grande com a China.

    "A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009, uma economia que, embora tenha reduzido seu ritmo de crescimento, continua a crescer, desponta como um parceiro extremamente importante no momento em que há uma crise da economia global e que o governo brasileiro vem enfrentando uma série de dificuldades e para tentar reanimar as exportações."

    Apesar do interesse demonstrado pelo Brasil, Santoro observa que os outros parceiros do BRICS (Rússia, Índia, e África do Sul) também importantes, em particular a Rússia que está entre os dez maiores. O especialista diz que seria insensato para o Brasil abandonar a prioridade que o bloco teve nos últimos anos em termos de estratégia de política externa. 

    "O grande desafio no caso da Rússia é diversificar a pauta de comércio. Basicamente o Brasil exporta para a Rússia carnes e importa fertilizantes e outros derivados de petróleo. Uma das possibilidades seria investir em parcerias nas áreas científica, tecnológica, de defesa, área em que a Rússia é um país de tecnologia de ponta." 

    Santoro afirma que, no caso da Índia, houve durante um certo tempo no Brasil uma ilusão de que o país seria uma segunda China, palco de negócios diversificados, e isso acabou não se concretizando, embora ele veja espaço para crescimento. Dos países dos Brics é o que tem mantido uma taxa de crescimento muitíssimo acelerado (só perde para a China), uma economia que está se diversificando, uma classe média que está crescendo. Segundo ele, o Brasil deveria apostar nessa cartada indiana, investir em inteligência comercial, em uma boa diplomacia para mapear oportunidades para o Brasil. Só este ano, de janeiro a junho, a corrente comercial entre Brasil e China está em U$ 31 bilhões, enquanto ainda patina na casa dos US$ 6,6 bilhões com a Rússia e US$ 7 bilhões com a Índia.

    "A minha dúvida é o que o atual governo pensa dessa possibilidade dos Brics nessa estratégia diplomática. A gente tem visto que outros pares, como a integração latino-americana, estão sob ameaça. O Brasil tem vivido agora com o governo Temer um nível de conflito diplomático com a América Latina sem precedentes e muito preocupante."

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    Tags:
    diplomacia, crescimento, economia, capital, empresas, investimento, importações, exportações, UERJ, BRICS, Maurício Santoro, Maurício Macri, Michel Temer, Argentina, África do Sul, Índia, Rússia, Brasil, China
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