08:54 25 Setembro 2018
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    Ministro José Serra e presidente interino Michel Temer citados em denúncias de pagamento de caixa 2 da Odebrecht
    Beto Barata/PR

    Odebrecht: Senadores divergem se denúncias de caixa 2 para Temer modificam impeachment

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    Brasil entre Temer e Dilma (110)
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    As denúncias feitas por executivos da Odebrecht sobre pagamento de propinas ao presidente interino Michel Temer e a ministros de seu Governo (José Serra, das Relações Exteriores, e Eliseu Padilha, da Casa Civil) dividem opiniões no Senado nesta terça-feira (9), na sessão que decide se o processo de impeachment de Dilma vai a julgamento final.

    Segundo as informações dos executivos da Odebrecht, a construtora pagou R$ 23 milhões por meio de caixa 2 para a campanha de Serra (PSDB) à presidência em 2010, o que equivale a quase dez vezes mais do que foi declarado pelo ministro ao Tribunal Superior Eleitoral. 

    Para Michel Temer, a construtora teria pago durante um jantar com Marcelo Bahia Odebrecht no Palácio do Jaburu, R$ 10 milhões em dinheiro, em 2014. Já o  Ministro Eliseu Padilha teria recebido da Odebrecht R$ 4 milhões.

    Em função de tais denúncias, os senadores divergem quanto ao fato das informações dadas pela construtora possam causar descrédito ou mudanças no processo de impeachment de Dilma.

    Ao conversar com a imprensa, a Senadora Vanessa Grazziotin (PcdoB-AM) disse que as denúncias do fim de semana podem mudar a situação do processo de impeachment. A senadora acha que Michel Temer deve responder pelas denúncias de ter recebido dinheiro de Caixa 2 das empreiteiras no Palácio do Jaburu, e alerta para a imunidade processual que o presidente interino terá caso Dilma Rousseff perca o mandato.

    "Caso esse processo de impeachment ocorra e a presidenta seja impedida permanentemente de governar, ou seja, perca o seu mandato. Michel Temer virará o Presidente da República e com isso herdará a imunidade processual, o que significa dizer ele não mais poderá ser processado por denúncias tão graves como essas de que ele usou inclusive o bem público, o próprio Palácio do Jaburu para receber, segundo as denúncias, recursos de caixa 2 de empreiteiras completamente envolvidas com esses escândalos de corrupção no Brasil."

    Já o Senador Alvaro Dias (PV-PR), não acredita que as denúncias feitas pelos Executivos da Odebrecht vão influenciar ou mudar a votação do impeachment que está em andamento nesta terça-feira (9), pois o processo segundo o senador, diz respeito à Presidenta afastada e Temer seria um outro processo.

    "Nós temos que julgar o que diz respeito à Presidenta Dilma. O processo de impeachment diz respeito a ela, aos atos praticados por ela. Se há quem queria acusar Michel Temer deve iniciar um novo procedimento. Hoje nós estamos julgando a ex-presidente Dilma ou a presidente Dilma, e se futuramente um outro processo de impeachment for acolhido na Câmara dos Deputados, aí sim nós teremos que julgar em função das últimas denúncias que foram vinculadas pela imprensa do país no fim de semana. Não há como misturar as coisas. Cada processo no seu terreno, no seu campo."

    Para o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) as denúncias divulgadas mudam o clima político do país. Lindbergh é a favor de que o processo de impeachment da Presidenta Dilma Rousseff seja suspenso para que as denuncias contra Temer sejam investigadas. O senador ainda alertou que, se Michel Temer se tornar presidente em definitivo, ele estará blindado e não poderá ser investigado por essas denúncias.

    "Primeiro é um escândalo nós querermos afastar uma presidenta da República por três decretos de créditos suplementares e por pedaladas no Plano Safra e não leva em conta essas denúncias envolvendo o presidente interino. Falaram de uma reunião no Palácio do Jaburu e depois de dinheiro vivo, entregue R$ 10 milhões.  R$ 4 milhões entregues nas mãos do Ministro Eliseu Padilha. Eu chamo atenção que essa votação aqui, na verdade essa votação não é só se afasta ou não a presidenta Dilma, é se blinda ou não o presidente interino Temer, porque se ele virar presidente de forma definitiva, ele não poderá ser investigado por esses fatos, pois conforme a Constituição diz que o presidente da República só pode ser investigado por fatos referentes a esse mandato. Como essa conversa com a Odebrecht aconteceu em 2014, ele ficaria blindado. Os senadores tem que saber, se votarem pelo afastamento da presidenta Dilma estão blindando Michel Temer, que não pode mais ser investigado, é gravíssimo. Eu acho que o correto seria suspender todo esse processo, aprofundar essas investigações."

    A assessoria do Palácio do Planalto alega que de fato ocorreu um jantar no Palácio do Jaburu em maio de 2014 entre o presidente interino Michel Temer e o empresário Marcelo Bahia Odebrecht para tratar sobre auxílio financeiro da construtora a campanhas eleitorais do PMDB, porém, a quantia repassada pela construtora está em total conformidade com a legislação eleitoral em vigor e ainda foi depois declarada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).  Conforme dados do TSE, a Odebrecht doou R$ 11,3 milhões à direção nacional do PMDB, em 2014.

    Marcelo Bahia Odebrecht está Preso desde junho de 2015, após ser condenado pelo juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato, a 19 anos de prisão e multa de mais R$ 100 milhões por danos causados à Petrobras. 

    Tema:
    Brasil entre Temer e Dilma (110)
    Tags:
    alterações, impeachment, Odebrecht, Senado, Palácio do Planalto, Eliseu Padilha, José Serra, Michel Temer, Brasil
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