02:45 19 Novembro 2018
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    Fundo Monetário Internacional (FMI)
    © AP Photo / Pablo Martinez Monsivais

    Representante do Brasil e de mais 10 países no FMI confirma ida para o Banco Mundial

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    Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, o economista Otaviano Canuto confirma que está deixando o FMI (Fundo Monetário Internacional), órgão em que representa o Brasil e mais 10 países, e retornando ao BIRD (Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento), o Banco Mundial.

    Otaviano Canuto será substituído no FMI por Alexandre Tombini, ex-diretor-presidente do Banco Central brasileiro, que cedeu seu posto para Ilan Goldfajn, ex-diretor do Banco Central e, até a sua nomeação para o BC, economista-chefe do grupo Itaú-Unibanco.

    Ao falar sobre as mudanças, Otaviano Canuto diz que, de fato, está retornando ao Banco Mundial, já que trabalhou naquela instituição entre os anos de 2004 e 2007, como diretor-executivo. Depois, foi para o BID como vice-presidente, até 2013, voltou para o Banco Mundial também como vice-presidente e em 2015 foi indicado pelo então ministro da Fazenda, Joaquim Levy (hoje, também no Banco Mundial, em Washington) para o Fundo Monetário Internacional.

    De acordo com Otaviano Canuto, sua terceira passagem pelo Banco Mundial se deve a um pedido do atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles:

    “O ministro me disse que eu deveria utilizar minha experiência de 360 graus no Banco Mundial para auxiliar o Brasil no relacionamento com a entidade e com outros países, e também me informou que Alexandre Tombini assumirá as funções que exerci no Fundo Monetário Internacional. Tombini trabalhou no FMI antes de ser chamado a Brasília para trabalhar no Banco Central. Outra mudança que ocorrerá entre os economistas brasileiros que trabalham em Washington será o deslocamento de Antônio Henrique Silveira do Banco Mundial para o BID. Acho que o time ficou perfeito, e eu me sinto muito honrado de estar sendo lembrado para exercer estas funções.”

    Otaviano Canuto deverá reassumir suas atribuições no Banco Mundial em 1 de julho, mas durante todo próximo mês irá acumular as atividades no BIRD com as do Fundo Monetário Internacional. A dedicação exclusiva ao Banco Mundial só se dará a partir de 1 de agosto.

    Em relação às mudanças no Banco Central e ao anúncio pelo seu novo presidente, Ilan Goldfajn, de que sua atuação estará assentada sobre o chamado tripé econômico – câmbio flutuante, política de juros e superávit primário, de forma a reduzir a dívida pública —, Otaviano Canuto diz que esta é uma decisão correta:

    “De certa forma, o Dr. Ilan Goldfjan está dizendo que dará continuidade à filosofia de trabalho de Alexandre Tombini, com quem tenho e sempre tive excelente entrosamento. O caminho é este mesmo, pois o Dr. Goldfajn, como economista consciente e experiente que é, sabe o bem que representou para o Brasil a observância do tripé econômico. Então, eu entendo que ele começa muito bem à frente do Banco Central ao anunciar sua política, que compreende metas de inflação.”  

    Assim como seus antecessores Otaviano Canuto e Paulo Nogueira Batista Jr. (hoje vice-presidente para o Brasil no Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco dos BRICS), Alexandre Tombini representará o Brasil e mais os seguintes 10 países no Fundo Monetário Internacional: Cabo Verde, República Dominicana, Equador, Guiana, Haiti, Nicarágua, Panamá, Suriname, Timor Leste e Trinidad e Tobago.

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    Tags:
    superávit primário, juros, Câmbio, economia, Banco de Desenvolvimento do BRICS, BRICS, Banco Central do Brasil, BIRD, BID, FMI, Banco Mundial, Henrique Meirelles, Joaquim Levy, Ilan Goldfajn, Otaviano Canuto, Washington, Brasil
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