10:05 22 Agosto 2017
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    Senado faz avaliação e aprova economista Ilan Goldfajn para presidência do Banco Central
    Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Senado faz avaliação e aprova economista Ilan Goldfajn para presidência do Banco Central

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    Brasil entre Temer e Dilma (110)
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    Depois de ser sabatinado pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, o economista Ilan Goldfajn foi aprovado em Plenário por 56 votos favoráveis, 13 contrários e uma abstenção para assumir a presidência do Banco Central, como indicado pelo presidente em exercício Michel Temer.

    Durante a sabatina, o economista, que vai substituir Alexandre Tombini, destacou como um dos focos de trabalho o controle da inflação, se propondo a atingir a meta da inflação de 4,5% ano. No ano passado o índice ficou em 10,6%, acima do limite superior da meta estabelecido em 6,5%.

    “Retribuirei a confiança em mim depositada atingindo a meta de inflação, e assim contribuindo para a recuperação do crescimento econômico sustentável e para o progresso social do país, com benefício para todas as camadas sociais, especialmente as menos favorecidas, que sofrem mais com a perda do poder de compra da moeda. O nosso objetivo será cumprir plenamente a meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional mirando o seu ponto central. Os limites de tolerância estabelecidos servem para acomodar choques inesperados na inflação, que não permitam a volta ao centro da meta em tempo hábil.”

    O economista ainda defendeu a responsabilidade fiscal e o câmbio flutuante como parte de um tripé fundamental para resgatar a economia brasileira.

    “Um dos fatores que está levando à recessão, é que o investimento tem caído a dez trimestres seguidos. Isso tem a ver com incerteza, com a incapacidade de quem tem que investir e olhar o futuro. A volta do crescimento em 2017, ou até mesmo no final deste ano, eu diria que é factível, mas vai ter que vir com medidas concretas, com implementação das reformas, com a aprovação das reformas no Senado.”

    Ilan Goldfajn falou ainda sobre a importância da autonomia do Banco Central, para garantir a solidez do sistema financeiro brasileiro supervisionado pela instituição. A medida já está incluída em uma Proposta de Emenda à Constituição, que o governo já anunciou que pretende enviar para o Congresso. “Não se trata de ambição ou desejo pessoal, mas de medida que beneficia a sociedade, mediante a redução das expectativas de inflação, da queda do risco no país e da melhora da confiança.”

    O economista já foi diretor de política econômica do Banco Central entre os anos de 2000 e 2003, e atualmente ocupava o cargo de economista chefe de um grande banco privado, o que foi tema de críticas por parte da oposição. Durante a votação, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) anunciou voto contrário da bancada à indicação do economista para presidência do Banco Central. Lindbergh não é a favor da substituição na presidência da instituição durante um governo interino. 

    O senador ainda ressaltou que há conflito de interesse, já que Goldfajn é sócio do Itaú Unibanco. O economista rebateu as críticas dizendo que já não tem mais ligações com o antigo empregador, sem ver mais existência de conflito. “Será que permanece algum conflito a partir daí. Eu acredito que não. É só olhar o mundo todo, e olhar o Brasil no presente e no passado. Eu acredito que é extremamente rico o setor público fazer uso da experiência, vivência e conhecimento de atores do setor privado.” 


    Tema:
    Brasil entre Temer e Dilma (110)
    Tags:
    economista, sabatina, Banco Central, Senado Federal, Brasília
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