04:11 17 Junho 2019
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    Manifestante com bandeira do Brasil na sede da Petrobras
    © AFP 2019 / YASUYOSHI CHIBA

    Contradições da crise: Ações da Petrobras sobem 55,4% em uma semana

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    Depois de amargar perdas consideráveis nos últimos meses, quando suas ações chegaram a ser cotadas a R$ 5, a Petrobras fechou a semana passada com alta acumulada de 55,4%, segundo levantamento da Economática. A alta foi a terceira maior entre 1.972 empresas pesquisadas na América Latina e nos Estados Unidos.

    Longe de significar melhora no desempenho financeiro, a súbita melhora no valor dos papeis da companhia está ligada ao agravamento da crise política no país, depois que o Senador Delcídio Amaral (sem partido-MS) firmou acordo de delação premiada ligando a Presidenta Dilma Rousseff e o ex-Presidente Lula aos desvios de recursos na estatal, investigados pela Operação Lava Jato da Polícia Federal.

    Com a alta da semana passada, o valor da companhia em Bolsa aumentou US$ 11 bilhões, passando agora para US$ 30,8 bilhões. O cenário financeiro, porém, ainda é bastante difícil. Muitos analistas afirmam que, fosse uma empresa privada, a Petrobras já teria falido. A empresa acumula dívidas de US$ 128 bilhões, dos quais 84% em moeda estrangeira, e tem dívidas de US$ 24 bilhões vencendo nos próximos 24 meses.

    Alguns analistas, porém, apontam melhora no humor do mercado em relação às perspectivas da companhia. O sócio da Leme Investimentos Paulo Petrassi é um dos que concordam que a reavaliação da Petrobras agora segue critérios políticos e não econômicos.

    "[Essa alta] é um evento realmente político. A Petrobras foi totalmente castigada na última década com a gestão do PT”, comenta Paulo Petrassi. “Vimos diversos desvios de recursos e mau investimento. Com a expectativa do avanço das investigações da Lava Jato, chegando muito próximo do ex-Presidente Lula e da Presidenta Dilma, fica claro que o cenário de impeachment e troca de governo fica bem mais forte. O mercado se antecipa sempre, mas não há nenhum fato econômico que tenha mudado a perspectiva, a Petrobras continua endividada, com vários problemas estruturais, porém a possibilidade de troca de governo dá uma expectativa positiva no médio e no longo prazo.”

    Assim como os papeis da Petrobras, nos últimos dias também as ações de estatais como Banco do Brasil e de siderúrgicas (Vale, CSN, Belgo, entre outras) têm experimentado fortes altas.

    "Houve uma recuperação muito forte não só dela [Petrobras] como de estatais como Banco do Brasil. As mineradoras também recuperaram bem. A economia deve voltar com vigor com a troca do governo, se ocorrer. Se você me garantir que a Dilma fica mais três anos, a Petro (ação) pode sair de R$ 7,34 e ir lá para R$ 3, porque o endividamento dela é muito grande, o horizonte é apertado, o mercado externo também está complicado com as economias desenvolvidas crescendo menos.”

    O sócio da Leme Investimentos lembra, contudo, que, mesmo no auge dos problemas, há duas semanas, a Petrobras conseguiu financiamento de US$ 10 bilhões com o China Development Bank.

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    Tags:
    Operação Lava Jato, Belgo, CSN, China Development Bank, Vale, Polícia Federal, Banco do Brasil, PT, Petrobras, Paulo Petrassi, Delcídio Amaral, Lula, Dilma Rousseff, Brasil
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