00:45 21 Setembro 2018
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    Consultor aponta entraves para maior atração do capital externo ao Brasil

    Rebaixamento do rating brasileiro dificulta captação de dinheiro no exterior

    Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas
    Brasil
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    O rebaixamento do rating brasileiro pela Standard & Poor’s, o segundo no intervalo de 5 meses, de “BBB” para “BBB-“, vai dificultar o cenário das empresas brasileiras que pretendem se capitalizar com o lançamento de títulos no mercado externo este ano. A tendência, segundo analistas, é que o número dessas operações caia ainda mais do que em 2015.

    Nos 8 primeiros meses do ano passado, apenas 8 companhias lançaram papéis no mercado internacional, levantando US$ 8 bilhões, cifra bem abaixo dos US$ 45,4 bilhões contabilizados ao longo de 2014. A perda do grau de investimento vai impactar diretamente o custo dessas captações.

    Um dos especialistas que veem este cenário mais difícil é Celso Toledo, sócio da E2 Economia.Estratégia, de São Paulo.

    “Sem dúvida, o rebaixamento é uma notícia ruim para as empresas, porque o custo do capital toma o risco do país sempre como uma referência. Quando a nota do crédito é rebaixada, o custo do dinheiro aumenta para as empresas. Esse rebaixamento é um capítulo de uma novela, de um quadro negativo para o país. A perda do grau de investimento foi o episódio mais relevante. Se você for ver o preço do mercado, o prêmio que as empresas estão pagando, essas taxas de juros já são compatíveis com as de um país que tomou dois ou três downgrades. O rebaixamento é um dado a mais dentro de um quadro muito negativo.”

    Prédio da Standard & Poor's em Nova York
    © REUTERS / Brendan McDermid/Files
    Na visão de Toledo, o problema do rebaixamento é a percepção do mercado internacional de que os graves problemas enfrentados na economia brasileira ainda não começaram a ser atacados de forma eficiente. “Desde que ficou claro que os fundamentos da economia do Brasil estão muito deteriorados, numa trajetória ruim, esse custo de financiamento aumentou no mercado. O rating das agências de risco só chancela essa realidade.”

    Antes do anúncio do rebaixamento, esta semana, o presidente da Petrobras, Ademir Bendine, disse que a estatal planeja colocar cerca de US$ 14,5 bilhões em papéis no mercado internacional, como forma de reduzir a dívida de mais de US$ 300 bilhões da companhia.

    “No caso específico da Petrobras, há um problema além – o fato de que a empresa sofreu muito com uma gestão ruim. É uma empresa que, não fosse pública, teria quebrado”, observa Toledo. “O custo de captação da Petrobras é alto. Se existir gente disposta a financiar a Petrobras, certamente vai exigir um prêmio de risco elevado, pela situação delicada do país, mas muito mais pelas particularidades da empresa e também pelo fato de que o segmento de petróleo, independente do risco Brasil, está passando por um momento de ajustes. As empresas petrolíferas no mundo inteiro estão tendo que se ajustar a uma realidade que parece mudou para valer. Esses preços baixos parecem que vão ser mais persistentes do que se imaginava há um tempo.”

    Tags:
    investimento, finanças, economia, Celso Toledo, Brasil
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