17:57 23 Maio 2019
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    Água do Rio Doce fica mais escura e indica que lama está perto do ES
    Secom-ES

    Serviço Geológico garante que água do Rio Doce não está contaminada por metais pesados

    Brasil
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    A qualidade da água do Rio Doce para o consumo ainda causa dúvidas na população por conta dos impactos do rompimento da barragem do Fundão, com rejeitos de minério, em Mariana, MG, em 5 de novembro. Mas um relatório do Serviço Geológico tranquiliza.

    Um grupo de cientistas das Universidades de Brasília (UnB) e Federal de São Carlos (Ufscar) divulgou em 15 de dezembro análises feitas em amostras coletadas em 10 pontos ao longo do Rio Doce e afluentes. E os pesquisadores afirmavam a presença de metais pesados acima dos limites admitidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

    Agora, um segundo relatório foi divulgado pelo Governo, e o documento conclui que a água daquele rio não foi contaminada por metais pesados após o rompimento da barragem em Mariana. O novo relatório foi comparado com um levantamento feito em 2010, e apontou que não houve alteração na qualidade da água do rio.

    Por nove dias, o Serviço Geológico do Brasil e a Agência Nacional de Águas recolheram amostras ao longo do curso do Doce. Além da água, os especialistas também analisaram a lama sedimentada, além de verificar se havia presença de metais pesados dissolvidos.

    O diretor-presidente do Serviço Geológico do Brasil, do Ministério de Minas e Energia, Manuel Barreto, garante que, de acordo com a análise, a água pode ser consumida sem risco para a população.

    “O nosso trabalho não evidencia a presença de metais pesados em quantidade que seja prejudicial à vida. Não há contaminação de metais nessa amostragem que nós fizemos.”

    Manuel Barreto explica ainda que os rios afetados pela lama durante a tragédia já possuem naturalmente alguns tipos de metais, pois a região é rica em minérios.

    A grande carga de lama deixou o rio com uma coloração escura e diminuiu a quantidade de oxigênio, matando a flora e a fauna da região, além de prejudicar o abastecimento de água para o consumo da população de cidades e distritos dos Estados de Minas Gerais e do Espírito Santo. 

    “No acidente, com a massa de rejeitos que entrou no rio, evidentemente, a turbidez dessa água subiu valores 300 vezes maiores do que o normal, na época de enchente. Hoje, a tendência disso é que esses sedimentos que estão em suspensão com o tempo vão decantando, e a água vai ficar mais clara.”

    A  ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, visitou na quarta-feira o Espírito Santo, e em entrevista coletiva disse ter chegado a hora de começar a focar esforços na revitalização do Rio Doce. A ideia do Governo é usar nas ações de revitalização do rio a mão de obra dos trabalhadores afetados economicamente pelo o rompimento da barragem.

    “Nossas ações devem levar em conta a oportunidade das pessoas impactadas economicamente de terem emprego a partir da revitalização”, afirmou Izabella Teixeira.

    A ministra do Meio Ambiente também vai conversar, nos próximos dias, com os Governos Estaduais de Minas Gerais e do Espírito Santo sobre o fundo de R$ 20 bilhões pedido judicialmente à Samarco e que será usado para a recuperação do rio.

    A Justiça marcou para o dia 23 de dezembro um encontro em Mariana entre os moradores, o Ministério Público e representantes da mineradora Samarco, que pertence à Vale e à BHP Billiton. A reunião será para firmar um acordo que garanta os direitos das vítimas.

    Mais de 40 dias após a tragédia, a Samarco ainda não apresentou um plano de assistência para as vítimas, metade das famílias atingidas ainda não está recebendo ajuda financeira e outras 150 famílias permanecem em hotéis e hospedadas em casas de parentes.

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    Tags:
    Ministério do Meio Ambiente, BHP Billiton, Ufscar, Conama, Samarco, Serviço Geológico do Brasil, Vale, UnB, Manuel Barreto, Izabella Teixeira, Rio Doce, Mariana, Minas Gerais, Espírito Santo, Brasil
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