17:50 16 Setembro 2019
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    Dilma Rousseff, presidenta do Brasil.
    Agência Brasil / Valter Campanato

    Otimista, Dilma Rousseff afirma ver luz no fim do túnel para crise na economia brasileira

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    A Presidenta Dilma Rousseff disse em entrevista a duas emissoras de rádio da Bahia, nesta quarta-feira, que apesar da crise na economia brasileira, ela vê uma luz no fim do túnel, e que a tendência é a de que a inflação entre em queda.

    Dilma Rousseff falou sobre o momento difícil da economia brasileira e ressaltou que as medidas tomadas através do programa de ajuste fiscal já começam a dar resultados positivos.

    “O que eu acho que está dando resultado? Primeiro, é visível que houve um reajuste no câmbio brasileiro. Muitas pessoas vão sentir efeitos disso, porque produtos externos vão ficar mais caros. Mas, em compensação, os produtos que nós vendemos lá fora serão mais competitivos. Isso explica que até setembro nós tenhamos tido um superavit comercial, ou seja, vendemos mais para fora do que compramos, de R$ 10 bilhões. Além disso, Nós estamos fazendo um imenso esforço para reduzir a inflação. A tendência da inflação é de queda. Ela tem alguns aumentos no percurso, mas a tendência é de queda reconhecida pelo mercado. Eu quero dizer o seguinte: eu estou vendo luz no fim do túnel”.

    De acordo com dados divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 0,22% em agosto para 0,54% em setembro. No ano, o indicador acumulado está em 7,64%, o mais elevado para o período desde 2003, quando atingiu 8,05%. Em 12 meses, o avanço é de 9,49%.

    De acordo com Dilma Rousseff, o principal desafio do governo hoje é reequilibrar o orçamento e, ao mesmo tempo, manter os investimentos no país.

    “Qual é o desafio que nós estamos (enfrentando)? Qual é ele? É que ao mesmo tempo que nós temos que tomar medidas para reequilibrar o nosso orçamento, porque, como qualquer pessoa que está em dificuldade, nós temos que reequilibrar o nosso orçamento, nós temos que reduzir a inflação, para que o país cresça. Ao mesmo tempo que nós fazemos isso, nós temos que manter os programas sociais e os investimentos que estamos fazendo. Esse é o nosso desafio, fazer as duas coisas”.

    A presidenta também falou sobre a necessidade da manutenção aos vetos presidenciais a projetos que causam grande impacto financeiro nos cofres da União, como o reajuste salarial de até 78,65% para os servidores do Judiciário. O governo alega que o aumento do Judiciário geraria efeito inverso ao atual esforço fiscal em curso para tirar o país da crise econômica. A estimativa é a de que o reajuste custaria aos cofres públicos R$ 36,2 bilhões até 2019.

    Outro veto polêmico é a correção de aposentadorias e pensões. A previsão do governo é a de que essa medida gere um gasto de R$ 11 bilhões nos próximos quatro anos.

    Dilma acredita que o Congresso e a oposição vão colocar as divergências políticas de lado em prol de um compromisso maior com o país.

    “É importante que o Congresso Nacional, e eu tenho certeza disso, demonstre o seu compromisso com o Brasil. Porque é muito importante que as pessoas coloquem os interesses do país acima dos seus interesses, acima dos interesses partidários, acima dos interesses de oposição ou situação. Em algumas questões, o interesse do Brasil tem de prevalecer. No caso dos vetos, é porque é impossível um país que está enfrentando dificuldades aumentar desproporcionalmente suas despesas”.

    Dilma ressaltou que quanto mais rápido forem aprovadas as medidas enviadas pelo governo ao Congresso, mas rápida será a travessia pela crise.

    A votação dos vetos presidenciais estava prevista para esta quarta-feira, porém, pelo segundo dia consecutivo, mais uma vez a sessão do Congresso Nacional foi encerrada sem a análise dos vetos, devido à falta de quórum na Câmara.

    O presidente do Senado, Renan Calheiros, suspendeu os trabalhos quando havia 61 senadores (acima do número necessário) mas apenas 182 deputados no Plenário. Seriam necessários ao menos 257, que é abaixo do número da própria base de apoio do governo na Câmara. Meia hora depois, o painel chegou a marcar 218 presenças, mas a sessão foi automaticamente encerrada.

    Durante a entrevista, a presidenta também foi questionada sobre o momento político do país e as pressões que ela vem sofrendo da oposição, com ameças de impeachment, e as ações no Tribunal de Contas da União e no Tribunal Superior Eleitoral, que recomendam ao Congresso Nacional a rejeição das contas de Dilma e que pedem a impugnação dos mandatos da presidenta e do vice-presidente Michel Temer, por suposto abuso de poder político e econômico na eleição de 2014.

    Mais uma vez, a a chefe de Estado brasileira disse acreditar na democracia e no poder do voto, que a elegeu.

    “Eu acredito que o Brasil tem uma democracia que ainda é jovem, mas é uma democracia robusta. A base dessa democracia é o voto direto nas urnas. É impossível achar que nós fazemos um serviço para a democracia do país tentando métodos para encurtar a chegada ao governo. O único método reconhecido para se chegar ao governo é o voto direto nas urnas. Portanto, acho que a democracia brasileira é forte o suficiente para impedir que variantes golpistas tenham espaço no cenário político brasileiro”.

    Nesta quarta-feira, a presidenta esteve na Bahia para fazer a entrega de 2.781 moradias do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, nos municípios de Barreiras, Dias D´ávia, Feira de Santana e Irecê, no interior baiano. As residências vão beneficiar mais de 11 mil pessoas. Os empreendimentos receberam um investimento total de R$ 169 milhões.

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    Tags:
    ajuste fiscal, impeachment, Minha Casa, Minha Vida, Congresso Nacional, Michel Temer, Renan Calheiros, Dilma Rousseff, Irecê, Feira de Santana, Dias D´ávia, Barreiras, Bahia, Brasil
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