06:53 20 Agosto 2017
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    Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras em depoimento na CPI da Petrobras, na Câmara dos Deputados

    CPI da Petrobras: depoimento confirma propina ao PSDB

    Marcelo Camargo / Fotos Públicas
    Brasil
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    O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse na terça-feira, 5, à CPI da Petrobras que o ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, e o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) cobraram propina para evitar investigações de uma comissão parlamentar de inquérito sobre a estatal brasileira.

    O PSDB, principal partido de oposição ao governo da Presidente Dilma Rousseff, liderou o processo de instauração da CPI.

    O depoimento de Costa confirmou o que ele já havia dito à Justiça Federal anteriormente, quando declarou que houve um pagamento de R$ 10 milhões ao então senador do PSDB para que o inquérito sobre a Petrobras fosse “ignorado”, “acabado” ou “postergado”.

    Para o cientista político Antônio Marcelo Jackson, professor da Universidade Federal de Ouro Preto, em Minas Gerais, Paulo Roberto Costa é um dirigente que conhece muito bem a Petrobras, pois ingressou na empresa em 1995 e ocupou cargos de alta relevância, em governos de três presidentes da República: Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Portanto, tem amplo conhecimento de causa para afirmar o que vem declarando tanto à Polícia Federal como ao Ministério Público Federal, como ainda aos parlamentares que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga as denúncias de corrupção na Petrobras. No entanto, o Professor Jackson ressalta que Paulo Roberto Costa age sob os benefícios da delação premiada, que poderão lhe render uma diminuição da pena a que vier a ser condenado. Daí, segundo o especialista, o ex-diretor faz acusações tanto a parlamentares do PSDB, como o falecido ex-presidente nacional do partido, Sérgio Guerra, como a integrantes da base aliada, ou seja, membros do PT, do PP e do PMDB. Diante destas circunstâncias, Antônio Marcelo Jackson afirma que “as declarações de Paulo Roberto Costa precisam ser ouvidas e acatadas, porém interpretadas com uma certa reserva, uma vez que ele está visando, acima de tudo, à diminuição da sua pena”.

    O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras não especificou de que maneira o dinheiro foi pago, mas garantiu que o então senador do PSDB, Sérgio Guerra, agora já falecido, recebeu o pagamento feito pela empresa Queiroz Galvão. 

    Segundo Paulo Roberto Costa, o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) intermediou o encontro com o ex-senador tucano em um hotel no Rio de Janeiro: "Recebi um pedido do Deputado Eduardo da Fonte, do PP de Pernambuco, que pediu para se encontrar comigo e, chegando lá, para minha surpresa, estava também o Senador Sérgio Guerra. Eles me disseram que estava ocorrendo uma CPI sobre a Petrobras e que isso poderia ser minorado ou postergado, mas que precisava ter um ganho, um ajuste financeiro", disse.

    Costa afirmou também que se arrepende de ter participado do esquema de corrupção, e se referiu a isso como “mácula” na empresa e no país. O ex-diretor disse que a Petrobras é a empresa mais devedora do mundo por não ter feito caixa na venda de seus produtos, o que a obrigou a pedir empréstimos no mercado.

    “O maior problema da Petrobras, que continua arrebentando a empresa, são os preços que o Governo segurou, (…) é a defasagem do preço dos derivados. A Lava Jato, com desvio de R$ 6 bilhões, é 10% do rombo da Petrobras”, afirmou à CPI.

    “O uso político da Petrobras sempre existiu, não é novidade alguma”, comenta o cientista político Antônio Marcelo Jackson. “No depoimento que prestou ao Congresso Nacional, o Sr. Paulo Roberto Costa chama a atenção para o fato de que o desvio na Petrobras, relacionado à distribuição de propinas, é da ordem de 6 bilhões de reais, enquanto o problema maior da empresa foi a manutenção de preços não reais da gasolina, gerando um prejuízo de quase 60 bilhões de reais. Então, aí está caracterizado o uso político da Petrobras para fins eleitorais. Quando se tem uma empresa do porte de uma Petrobras, com uma forte presença de mercado, o seu uso político causa grandes prejuízos.”

    Operação Lava Jato
    Polícia Federal em São Paulo
    A Operação Lava Jato foi iniciada em 17 de março de 2014, com o cumprimento de mais de uma centena de mandados de busca e apreensão, prisões temporárias e preventivas, e tem como objetivo apurar um esquema de lavagem de dinheiro suspeito de movimentar mais de 10 bilhões de reais. 

    Na análise de Antônio Marcelo Jackson, as revelações de Paulo Roberto Costa provocaram duas questões de extrema gravidade. A primeira delas, a série de denúncias que culminou com a deflagração da Operação Lava Jato e as consequentes prisões de ex-dirigentes da Petrobras e de empresários denunciados por corrupção ativa; e a segunda, o problema do uso político da empresa. Ambas, na avaliação do cientista político, produziram resultados desastrosos tanto do ponto de vista político quanto empresarial.”

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    Tags:
    CPI, escândalo, corrupção, PSDB, PT, Petrobras, Brasil
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