15:37 21 Novembro 2017
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    Sede do HSBC em Londres

    Escândalo do HSBC tem nomes do futebol brasileiro

    © AFP 2017/ BEN STANSALL
    Brasil
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    Várias personalidades ligadas ao futebol brasileiro aparecem na lista de contas do banco britânico HSBC na Suíça, informa a mídia brasileira.

    Nota de real.
    Fotos Públicas / Rafael Neddermeyer
    De acordo com a ESPN, trata-se dos agentes Reinaldo Pitta, Eduardo Uram e Richard Alda, e também dos empresários Renato Tiraboschi e Octavio Koeler. Estes últimos foram sócios do ex-presidente da Confederação Brasileira do Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. Eles também têm representado a CBF como intermediadores.

    Já Uram representa o lateral direito Léo Moura, ex-Flamengo e agora, membro de um time nos EUA. Pitta é famoso por ser o primeiro a revelar Ronaldo Nazário, e atualmente atua para o goleiro do Flamengo, Paulo Victor, e para o atacante corinthiano Emerson Sheik. Alda está agenciando o volante Arouca, do Palmeiras.

    A sucursal suíça do banco HSBC tinha sido suspeita de ajuda à evasão fiscal desde 2008, quando o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês) descobriu uma lista de aproximadamente 106 mil clientes que desejavam fugir dos impostos guardando uma parte do seu dinheiro em contas estrangeiras.

    A lista foi vazada por um ex-funcionário do HSBC de dupla nacionalidade francesa e italiana, Hervé Falciani, que depois tinha se refugiado na Espanha e agora vive na França. O fato de vazamento determinou o apelido do escândalo, que é conhecido agora como Swiss Leaks (Vazamentos Suíços).

    Na Espanha, Falciani tornou-se o líder do Partido X, um ramo do movimento dos "indignados".

    Hervé Falciani em 2014 durante campanha do Partido X, na Espanha
    © AFP 2017/ QUIQUE GARCIA
    Hervé Falciani em 2014 durante campanha do Partido X, na Espanha

    8.667 brasileiros estão nesta lista, segundo as informações disponíveis. Fontes no Brasil afirmam que há policiais aposentados e servidores públicos entre os sonegadores. A BBC informa que as quantias guardadas nestas contas somam cerca de 106 bilhões de dólares, sendo mais de 7 bilhões (19,5 bilhões de reais) nas contas de pessoas brasileiras.

    O jornalista da UOL que foi o primeiro brasileiro a ter acesso à lista de Falciani, Fernando Rodrigues, recusou-se, no final da semana passada, a passar todos os dados sobre o caso ao Congresso, "sabendo como funciona o Congresso Nacional e as CPIs [Comissões Parlamentares de Inquérito]", segundo a sua frase citada pela Rede Brasil Atual.

    Já segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), alegado pelo portal Terra, confirmou ter recebido, ainda em outubro de 2014, do ICIJ uma lista de 342 nomes envolvidos no caso.

    Portanto, em 1 de abril irá ter lugar uma audiência do CPI do caso, com participantes como Jorge Rachid, secretário da Receita Federal, e Antonio Gustavo Rodrigues, diretor do Coaf.

    Isto coloca o Brasil no nono lugar na lista de 203 países que detêm a maior quantia em dólares no HSBC suíço.

    O Brasil, que já sofreu com o mensalão e que está sofrendo com o "petrolão", não é um exemplo único neste caso. Só que ressurge novamente o problema da corrupção, desta vez ao nível internacional.

    O HSBC também sofreu, com uma queda de 7% das suas ações após a publicação do documento, em 8 de fevereiro de 2015.    

    Tags:
    corrupção, economia, Suíça, Reino Unido, Brasil
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