23:48 24 Julho 2017
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    Presidenta Dilma Rousseff
    © REUTERS/ Ueslei Marcelino

    Após protestos, palavras de ordem no governo de Dilma são diálogo e humildade

    Brasil
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    Geórgia Cristhine
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    Depois das manifestações contra o governo no último domingo, consideradas como as maiores no Brasil desde o movimento Diretas Já em 1983, a Presidenta Dilma Rousseff aproveitou a solenidade de sanção do Código de Processo Civil na segunda-feira, no Palácio do Planalto, em Brasília, para se pronunciar sobre os protestos.

    Durante a cerimônia, Dilma homenageou as pessoas que lutaram contra o regime de exceção e citou, entre os avanços obtidos em 30 anos de redemocratização, o direito à livre manifestação.

    A Presidenta disse também que, ao ver a multidão nas ruas se manifestando, pensou que valeu a pena lutar pela liberdade e pela democracia. "Ontem, quando eu vi centenas de milhares de cidadãos se manifestando, não pude deixar de pensar que valeu a pena lutar pela liberdade, valeu a pena lutar pela democracia. Este país está mais forte do que nunca”.

    Após o discurso, Dilma Rousseff atendeu a imprensa e declarou que, após os protestos, o governo está aberto para ouvir críticas e dialogar com quem quer que seja com humildade, mas que não está no confessionário. “Atitude de humildade é que você só pode abrir diálogo com quem quer diálogo. Porque quem não quer abrir diálogo com você, você não tem como abrir diálogo. Eu procurarei ter diálogo seja com quem for, é uma atitude de abertura. Agora eu não tô aqui fazendo nenhuma confissão. Não tem nenhum confessionário.”

    A presidenta defendeu que o ajuste fiscal é fundamental, mas admitiu que o governo pode ter cometido erros de dosagem sobre as medidas tomadas no primeiro mandato a fim de estimular a economia no país. “É possível que a gente possa ter até cometido algum (erro de dosagem). Agora, qual foi o erro de dosagem que nós cometemos? Nós gostaríamos muito que houvesse uma melhoria econômica de emprego e de renda”.

    Antes do discurso de Dilma em Brasília, mais cedo, em São Paulo, o Presidente da Câmara Eduardo Cunha jogou para o governo a culpa pela corrupção. Segundo o peemedebista,“a corrupção não está no Legislativo, está no Executivo”.

    A Presidenta, no entanto, durante a entrevista coletiva, respondeu ao Presidente da Câmara, dizendo que a corrupção é idosa no Brasil. “A corrupção não nasceu hoje. Ela é uma senhora idosa, e pode estar em qualquer lugar, não poupa ninguém. Ela pode estar, inclusive, no setor privado. Não vamos achar que tem qualquer segmento acima de qualquer suspeita.”

    Nos próximos dias, Dilma disse que vai divulgar uma série de medidas de combate à corrupção e à impunidade.

    As manifestações contra o governo também repercutiram no Congresso. Parlamentares da oposição e da base aliada se pronunciaram sobre os protestos de domingo, apontando como foco dos manifestantes uma insatisfação geral contra os políticos e o governo, porém não apresentaram uma pauta de reivindicações concreta para serem discutidas.

    Alguns parlamentares acreditam que se o governo não der respostas logo, outras manifestações devem acontecer no país.

    Nas redes sociais, já circula um novo chamado de protesto nacional contra o governo de Dilma Rousseff, marcado para o dia 12 de abril, pelo Movimento Brasil Livre, que defende o impeachment da presidenta.

    Desta vez, o grupo conhecido como Black Bloc promete voltar com tudo e assusta ativistas pacíficos. Na internet, os Black Blocs se posicionam contra uma possível intervenção militar e impeachment de Dilma Rousseff e prometeram transformar as ruas em palco de guerra contra quem pedir a destituição do poder.

    Na noite de segunda-feira, a Presidenta Dilma ainda se reuniu com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o Presidente do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão. O encontro teve como objetivo avaliar o cenário político e definir estratégias do governo para os próximos meses.

    A reunião durou cerca de duas horas e contou ainda com a presença dos ministros Jaques Wagner (Defesa), Miguel Rossetto (Secretaria Geral) e Aloizio Mercadante (Casa Civil). Esse foi o segundo encontro entre Dilma e Lula em uma semana. O Ex-presidente costuma ser consultado pela Presidenta em momentos de crise.

     

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    Tags:
    manifestações, protestos, impeachment, Black Bloc, Miguel Rossetto, Aloizio Mercadante, Luiz Inácio Lula da Silva, Jaques Wagner, Rui Falcão, Eduardo Cunha, Dilma Rousseff, Brasília, São Paulo, Brasil
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