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    O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, tentou refutar que administração Biden teria entregue uma lista com dados de norte-americanos e aliados no Afeganistão ao Talibã, para depois acabar dizendo que lhes disponibilizou os nomes dos cidadãos afegãos a serem evacuados.

    Questionado pelo apresentador do canal de notícias NBC News Chuck Todd, no domingo (29), sobre como a administração democrata poderia ter certeza de que as listas de pessoas que os EUA estão tentando retirar do Afeganistão não serão usadas para "motivos horrendos", Blinken respondeu que "simplesmente não é o caso" que tal informação tenha sido entregue ao Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e em outros países).

    "A ideia de que fizemos algo que coloca em maior risco aqueles que estamos tentando ajudar a deixar o país está simplesmente errada [...] E a ideia de que compartilhamos listas de norte-americanos ou outros com o Talibã é [também] simplesmente errada", declarou o secretário de Estado norte-americano.

    Todd perguntou a Blinken sobre "o que foi compartilhado" concretamente, ao que o secretário de Estado respondeu que "em casos específicos" a administração Biden forneceu ao Talibã listas com dados de pessoas que precisavam passar pelos postos de controle do aeroporto de Cabul para serem posteriormente evacuadas.

    "Quando se tenta fazer passar um ônibus ou um grupo de pessoas e precisa mostrar uma relação para fazer isso – particularmente nos casos em que elas não têm as credenciais necessárias ou documentos consigo – então tem de se compartilhar os nomes das listas de pessoas no ônibus para que possam ter certeza de que estas são as pessoas que estamos procurando retirar [do Afeganistão] [...] Por definição, foi exatamente isso que aconteceu, nós retiramos 5.500 cidadãos norte-americanos do Afeganistão", explicou Blinken.

    Durante a conversa com o secretário de Estado dos EUA parece ter ficado implícito que o Departamento de Estado norte-americano confiou que o Talibã não utilizaria os dados fornecidos e deixaria passar toda a gente que Washington tenciona retirar do país da Ásia Central.

    Forças do Talibã bloqueiam rodovias nos arredores do aeroporto em Cabul, Afeganistão, 27 de agosto de 2021
    © REUTERS / STRINGER
    Forças do Talibã bloqueiam rodovias nos arredores do aeroporto em Cabul, Afeganistão, 27 de agosto de 2021

    Contudo, é fácil imaginar o grupo insurgente fazendo exatamente o contrário, escolhendo usar essa informação sensível contra as pessoas nas listas como forma de represália. Porém, Blinken voltou a insistir que "a ideia de que colocamos qualquer pessoa em uma situação de maior risco é simplesmente errada".

    O conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, também tentou amenizar os relatos relacionados com o fornecimento das referidas listas ao Talibã, garantindo a Jake Tapper, do CNN, que esses relatos eram "infundados e imprecisos".

    Sullivan insistiu que Washington tem "uma vantagem substancial para fazer com que o Talibã cumpra seus compromissos de permitir a passagem segura dos cidadãos norte-americanos, dos residentes permanentes legais e dos aliados afegãos que têm documentação de viagem para virem para os EUA".

    No domingo (29), os EUA e dezenas de outros governos emitiram uma declaração conjunta pedindo ao Talibã que honrasse suas garantias de que a todos os estrangeiros e afegãos com autorização para entrar em seus países fosse permitido sair do Afeganistão livremente e em segurança.

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    Tags:
    Afeganistão, Cabul, Talibã, listas, informações pessoais, segurança, Antony Blinken, Jake Sullivan
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