18:32 19 Outubro 2018
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    As pessoas andam de bicicleta passando por um teção transmitindo a reunião do líder norte-coreano Kim Jong Un e do presidente chinês Xi Jinping durante uma cerimônia de boas-vindas no Grande Salão do Povo em Pequim, terça-feira, 19 de junho de 2018.

    Por que a China se mostra tão ansiosa para fortalecer amizade com norte-coreanos?

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    Os diplomatas chineses superam os seus colegas norte-americanos no estreitamento das relações com a Coreia do Norte, opinam analistas.

    Vários dias antes da visita a Pyongyang do secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, marcada para 5 de julho, em Pequim estão sendo realizadas consultas de alto nível a fim de ajudar a Coreia do Norte a sair do isolamento internacional.

    Os especialistas entrevistados pela Sputnik China notaram que o convite à China da delegação do Ministério das Relações Econômicas Exteriores, encabeçada pelo vice-chefe da instituição, Ku Bon-tae, reflete a vontade firme das duas partes de procurar vias de cooperação econômica a longo prazo.

    Já não é a primeira vez que a China atua mais depressa do que os outros na península coreana. Um exemplo disso é que o encontro do presidente chinês, Xi Jinping, com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, ocorreu antes da cúpula coreana. Vários dias antes da cúpula da Coreia do Norte e EUA em Singapura, Kim Jong-un mais uma vez foi a Pequim para se encontrar com Xi.

    "Agora a China está demonstrando com muita diligência que é o melhor amigo da Coreia do Norte", considera o especialista do Instituto do Extremo Oriente, Konstantin Asmolov. Conforme ele, isso não é de surpreender porque nas relações entre os dois países há um degelo. Pequim não pode admitir que a Coreia do Norte se aproxime da América.

    "Mike Pompeo também vai tentar, possivelmente, chegar a algum acordo com Pyongyang, propor algumas condições ligadas ao desenvolvimento da Coreia do Norte. Por isso, pelo visto, nestes dias os norte-coreanos tentam entender em Pequim o que lhes pode propor a China. É claro que Pyongyang conta com que as propostas chinesas acabem por ser melhores do que as condições norte-americanas. Entretanto, lá conhecem e estimam a experiência de cooperação econômica tanto chinesa, como russa", reforçou.

    Durante a sua terceira visita à China durante os últimos três meses, Kim Jong-un não só informou Xi Jinping sobre os resultados da cúpula em Singapura, mas também se interessou pela experiência da China no desenvolvimento econômico.

    Ao que tudo indica, o mesmo está fazendo a delegação norte-coreana em Pequim. Pyongyang entende que o apoio de Pequim é necessário para a reorientação do país para o desenvolvimento econômico, opina o diretor do Centro de Estudos das Coreias da Academia de Ciências Sociais de Lyaoning, Lu Chao. Nos anos recentes, a China sempre incitou a isso a Coreia do Norte, tentou mudar a sua conduta via estímulos econômicos e comerciais. Agora, quando a Coreia do Norte deu a entender que se abstém das provocações, chegou o momento mais favorável para isso, diz o analista:

    "A comunidade internacional saúda o anuncio da Coreia do Norte sobre a sua decisão de corrigir a sua estratégia nacional com ênfase no desenvolvimento econômico. O líder norte-coreano, Kim Jong-un, já visitou a China três vezes [neste ano]. Em 1-2 de julho ele visitou a zona especial de cooperação econômica sino-norte-coreana na província norte-coreana de Pyongan Norte. Ele também examinou a fábrica de cosméticos na região administrativa especial de Sinuiju [na fronteira com a China]. Pode-se ver que a Coreia do Norte tem vontade de uma continuação do fortalecimento da cooperação econômica com a China.

    No que se refere à parte chinesa, ela apoia firmemente a viragem estratégica da Coreia do Norte para a desistência das armas nucleares e seu foco no desenvolvimento econômico. A China e a Coreia do Norte são vizinhos amistosos. É claro que a China vai apoiar totalmente o processo de desenvolvimento econômico da Coreia do Norte. Ao mesmo tempo, as sanções do Conselho de Segurança da ONU em relação à Coreia do Norte continuam em vigor, e a China continua as cumprindo de forma consequente. O vice-ministro das Relações Econômicas Exteriores norte-coreano chegou à China principalmente para discutir a cooperação na esfera agrícola, nos transportes e em outras áreas. Estas esferas não são abrangidas pelas resoluções do Conselho de Segurança da ONU sobre as sanções, nelas as partes podem manter uma cooperação econômica normal", explicou.

    Pyongyang conta obviamente com a ajuda de Pequim para lançar o procedimento de cancelamento das sanções internacionais. É muito provável que a delegação norte-coreana discuta essa questão no decorrer das consultas econômicas em Pequim. Pyongyang pode contar com que a China apoie o cancelamento das sanções e preste ajuda financeira, ao desenvolvimento do comércio e à cooperação em investimentos. Mas para isso Pyongyang também tem que convencer Washington da sua sinceridade, bem como da irreversibilidade do processo de desnuclearização. Esse é o principal problema nos contatos americano-norte-coreanos no futuro próximo. Por isso é evidente que de Pequim se pode esperar o aumento da atividade diplomática para o cancelamento das sanções apenas se houver progressos nas consultas entre os EUA e a Coreia do Norte.

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    Tags:
    Instituto Russo do Extremo Oriente, Academia de Ciências Sociais de Liaoning, ONU, Ku Bon-tae, Konstantin Asmolov, Lu Chao, Mike Pompeo, Pyongan, Sinuiju, Estados Unidos, Pyongyang, Pequim, Coreia do Norte, China
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