13:04 24 Abril 2018
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    O presidente da Rússia Vladimir Putin e o primeiro-ministro do Japão Shinzo Abe durante o encontro bilateral na residência do presidente russo em Sochi, Rússia, 6 de maio de 2016

    Japão prefere estreitar relações com Rússia e não seguir 'passos' dos EUA

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    Apesar da pressão dos EUA, os gigantes econômicos do Círculo do Pacífico praticamente não participam da campanha antirussa, inclusive o Japão, aliado mais frequente de Washington. Desde 2014, Tóquio procede com diplomacia para não afastar a Rússia em virtude da relação muito próxima entre Moscou e Pequim.

    Essa posição do Japão é baseada na situação geopolítica do país do sol nascente e sua história dramática no século 20. Desde a 2ª Guerra Mundial, Pequim e Tóquio se acostumaram a não confiar um no outro. Os líderes atuais dos dois países, presidente chinês Xi Jinping e primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, comprovam a distância entre eles. Seus encontros bilaterais são uma raridade. Enquanto as relações entre a Rússia e a China não ultrapassavam as barreiras de parceria comum, o Japão não se mostrava preocupado. Entretanto, Tóquio demonstrou-se seriamente receoso com a perspectiva de uma união estratégica.

    "Se a Rússia e a China se unirem com base em uma ideia antijaponesa, o receio de Tóquio se tornará real", disse à Sputnik Valery Kistanov, chefe do Instituto da Pesquisa do Extremo Oriente da Academia de Ciências da Rússia.

    Segundo o especialista, a atmosfera entre os dois gigantes asiáticos está extremamente tensa e as relações entre o Japão e a China estão congeladas.

    As sanções ocidentais fizeram com que Moscou fortalecesse os laços econômicos com Pequim. Foi assinado um acordo, em 2014, para o fornecimento de gás natural no valor de US$ 400 bilhões de dólares. Tóquio, por sua vez, não gostou que o combustível da Sibéria e do Extremo Oriente fosse enviado somente para a China. Para não colocar em risco os projetos de extração de gás em Sakhalin, o Japão propôs à Rússia medidas simbólicas.  

    Seguindo a conduta de países ocidentais, o Japão limitou a importação de produtos da Crimeia e prometeu congelar ativos financeiros de russos que tenham os nomes vinculados à lista de sanções. No entanto, a rotatividade de commodities entre a península e o arquipélago nipônico é historicamente modesta. Já a elite russa não costuma manter dinheiro no Japão.

    De acordo com os políticos japoneses, as sanções são brandas e não devem ser levadas a sério.

    O governo japonês elaborou um plano que visa o estreitamento das relações com Moscou e, inclusive, criou um cargo de ministro para o desenvolvimento de laços econômicos russo-japoneses, o qual é inédito no Extremo Oriente.

    Kistanov acredita que a relação amistosa com Shinzo Abe será determinada a partir de três circunstâncias. Além de limitar as ações da China e pressionar a Coreia do Norte, o Japão espera resolver o problema das ilhas Curilas. O Japão visa obter uma concessão territorial por parte da Rússia, no entanto, isso não é considerado como uma das condições para o desenvolvimento de laços econômicos.

    "Washington expressa sua insatisfação com o fato do Japão não seguir os passos norte-americanos contra a Rússia […] O Japão, diferentemente dos outros países do G7, ainda não expulsou diplomatas russos em decorrência do incidente em Salisbury", concluiu Kistanov.

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    Tags:
    sanções, relações econômicas, G7, Shinzo Abe, Xi Jinping, Washington, Pequim, Moscou, Tóquio, EUA, China, Rússia, Japão
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