02:18 13 Novembro 2019
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    Míssil balístico Shaheen-III do Paquistão durante desfile militar em Islamabad (foto de arquivo)

    Quais são os perigos do triângulo nuclear formado por China, Índia e Paquistão?

    © AP Photo/ Anjum Naveed
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    O teste de um míssil balístico intercontinental conduzido pela Índia no mês passado novamente chama a atenção para o alinhamento das forças na Ásia e levanta a questão de um potencial conflito bélico e nuclear na região.

    Em 18 de janeiro, a Índia realizou um teste bem sucedido do Agni-5, seu míssil balístico intercontinental inovador com capacidades nucleares.

    Descrito por Nova Deli como "a arma da paz", é o míssil mais sofisticado e letal do país asiático, com uma capacidade de carga explosiva de 1.000 quilos e uma faixa de mais de 5.000 quilômetros.

    O projétil potencialmente ameaça qualquer ponto na Ásia e na Europa, incluindo o Paquistão e a China, dois países com os quais os indianos tiveram conflitos, seja históricos, seja recentes.

    Ao contrário da Rússia e dos EUA, as grandes potências asiáticas, como a Índia e o Paquistão, estão desenvolvendo suas capacidades de míssil sem qualquer restrição.

    'Terra' e 'fogo'

    A Índia realizou seu primeiro teste nuclear em 1974 — quando uma carga subterrânea de oito quilotons explodiu — tornando-se o segundo país com poder atômico regional após a China. Em 1998, Nova Deli realizou uma série de detonações nucleares ainda mais potentes.

    A fase ativa de seu desenvolvimento de operadoras nucleares — mísseis balísticos — começou na década de 1980, criando desde então mais de uma dúzia de tipos de mísseis, dos quais duas famílias se destacam: Prithvi ('terra', em sânscrito) e Agni ('fogo')

    Os Prithvi são representados por três modificações: Prithvi-1, Prithvi-2 e Prithvi-3, projetados para o Exército, a Força Aérea e a Marinha, com intervalos de 150 quilômetros, 250 quilômetros e 350 quilômetros, respectivamente.

    Além do Agni-5, Nova Deli tem mísseis Agni-1 (com uma trajetória de até 700 quilômetros), Agni-2 (até 2.000 quilômetros), Agni-3 (de 2.500 a 3.500 quilômetros) e Agni-4 (de 3.000 quilômetros a 4.000 km). O país está atualmente desenvolvendo o Agni-6, com uma faixa estimada próxima a 10.000 quilômetros.

    De acordo com o jornal The Times of India, o Agni-5 foi lançado em sua "configuração final operacional" e será uma "dissuasão estratégica confiável contra a China agressiva e expansionista".

    'Morte' e 'falcão'

    O programa nuclear e de mísseis do Paquistão, que tem uma antiga disputa territorial com a Índia, está um tanto atrasado em relação ao seu vizinho: seu primeiro teste nuclear foi realizado em 1998 e o país iniciou o desenvolvimento de operadoras também na década de 1980, mas depois dos indianos.

    As duas maiores famílias de mísseis balísticos paquistaneses são o Hatf ('morte', em árabe), com mais de oito modificações, e o Shaheen ('falcão'), com três modificações.

    Seu míssil balístico mais avançado é o Shaheen-3, com uma faixa de 2.750 quilômetros. Com base nisso, o míssel Ababeel foi desenvolvido com um veículo de reentrada múltiplo e independente. Este último foi testado em janeiro de 2017, mas ainda não foi posto em serviço.

    Em julho de 2017, Islamabad testou o míssil balístico Nasr, também conhecido como Hatf-9, que tem uma faixa de 70 quilômetros.

    Olhar para a China

    A Índia tem estado adiante até agora, contando mísseis balísticos de lançamento submarino (K-4, K-5 e K-15), além dos já mencionados. No entanto, o Paquistão tem acesso aos avanços militares de seu aliado chinês, que fornecerá o míssil Donfeng-41, com uma faixa de 12.000 km.

    O analista militar indiano Nitin Gokhale, citado pelo jornal britânico The Independent, acredita que as Forças Armadas de seu país "foram reorientadas para uma solução para o problema chinês" e que o teste de Agni-5 foi um sinal de descontentamento com a política de Pequim no Mar da China Meridional.

    O lançamento do Agni-5 também coincidiu temporariamente com o aumento da tensão entre a Índia e a China em torno do platô de Doklam, de acordo com Vipin Narang, professor de ciência política do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), citado pela rede americana CNN.

    Em dezembro de 2017, a Índia tinha cerca de 130 ogivas nucleares, o Paquistão com 140 e a China possuía um total 270.

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    Tags:
    mísseis balísticos, Agni-5, Hatf, Shaheen-3, Nasr, Donfeng-41, armas nucleares, nações nucleares, CNN, Vipin Narang, Nitin Gokhale, Paquistão, Índia, China
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