07:21 20 Janeiro 2018
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    Drone norte-americano MQ-9 Reaper

    EUA consideram vender drones armados, mas Índia precisa mesmo deles?

    © AP Photo/ Leslie Pratt
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    A Índia está desenvolvendo seus próprios drones de combate que serão adotados ao serviço de suas Forças Armadas dentro dos próximos 5-7 anos.

    Especialistas dizem que a Índia pode comprar drones norte-americanos para vigilância em profundidade dos territórios do Paquistão e da China. Contudo, outros consideram que atualmente não há uma necessidade iminente para o país comprar drones de combate.

    Menos de uma semana depois de terem enumerado uma lista de razões para sua relutância em compartilhar suas principais tecnologias de defesa com a Índia, os EUA expressaram seu desejo de vender seus drones de ponta à Força Aérea da Índia (IAF, sigla em inglês). Um responsável oficial de alto nível da administração de Trump, citado pela agência de notícias indiana PTI, confirmou, respondendo à pergunta se os EUA estão considerando a solicitação da Índia para compra de veículos aéreos não tripulados General Atomics Predator C Avenger.

    "Estamos sempre olhando para isso, em termos de vendas militares estrangeiras, bem como em termos de ampla cooperação no campo da defesa sobre como fortalecer nossas relações e cooperação", disse o funcionário à PTI, pedindo anonimato.

    Em 18 de outubro, o secretário de Estado, Rex Tillerson, afirmou que os EUA estão prontos a compartilharem tecnologias com a Índia, frisando, contudo, que não se pode tratar de algumas tecnologias bem protegidas, já que isto pode prejudicar às vantagens competitivas do país. Contudo, durante seu discurso, Tillerson não mencionou especificamente as tecnologias de drones de combate.

    "De fato, ele [Tillerson] proporcionou a declaração mais clara feita por qualquer funcionário dos EUA sobre por que a Índia — qualificada de ‘grande parceiro de defesa' — não pode esperar nenhuma tecnologia militar de ponta, NUNCA", assinalou Bharat Karnad, especialista indiano em defesa.

    Em junho deste ano, os EUA abriram caminho à venda de 22 drones não armados MQ-9B Guardian à Índia sua vigilância marítima. Contudo, a Marinha da Índia não está interessada em aceitar o acordo, já que o país está particularmente interessado na versão armada do drone, o que os EUA estão relutantes em compartilhar.

    Atualmente, a Índia está desenvolvendo seu próprio drone de combate, o Ghatak. Contudo, estima-se que isso demorará ao menos 5-7 anos, caso tudo decorra de acordo com o plano, até ser adotado ao serviço. Os especialistas acreditam que não a Índia não precisa adquirir imediatamente drones armados, já que a Índia não está combatendo nenhum inimigo.

    "Em minha opinião, por enquanto a Índia não tem uma necessidade iminente em drones de combate, que estejam otimizados para operações no espaço aéreo permissivo. A Índia não está combatendo nenhum rival no espaço permissivo. Tanto o espaço da China, quanto o do Paquistão, estão sendo altamente contestados. O interesse da Força Aérea indiana nos MQ-9B e o interesse da Marinha da Índia no Heron TP é por suas capacidades de vigilância excelentes. A Força Aérea indiana quer olhar em profundidade para dentro da China e do Paquistão enquanto operando no âmbito da segurança do espaço aéreo da Índia", disse à Sputnik Internacional Vijainder K. Thakur, ex-comandante de esquadrão da Força Aérea Indiana.

    Caso os EUA aprovem a venda de drones armados à Índia, Nova Deli precisará gastar $ 8 bilhões (R$ 25 bilhões) para adquirir o sistema sem qualquer transferência de tecnologia.

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    Tags:
    compra, drone, Forças Aéreas da Índia, Marinha da Índia, Índia, EUA
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