11:31 21 Setembro 2018
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    Kim Jong-un, durante teste com submarino da Coreia do Norte

    Como Kim Jong-un aspira a se perpetuar no poder por mais de 50 anos?

    KCNA
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    O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, é visto no Ocidente como um líder irracional ou mesmo "insano" por causa da perseverança em enfrentar o mundo, em meio à crescente tensão entre os Estados Unidos e o seu país, sujeito a sanções internacionais pelo desenvolvimento do seu programa nuclear.

    No entanto, vozes como a de Tyler Cowen, professor de economia da Universidade George Manson, chamam a atenção para um fator-chave que pode ajudar a entender a lógica das ações de Kim Jong-un: sua juventude.

    "Como o exílio pacífico não parece ser uma opção (para ele seria difícil fugir do país seguro) Kim precisa de estratégias para permanecer no poder por pelo menos 50 anos", explica Cowen em um artigo publicado na semana passada.

    Cowen assume que, para um líder com planos que "garantam sua sobrevivência a longo prazo", Kim Jong-un, com 33 anos, não optará pela estratégia de "porco-espinho" nem tentará "alfinetar" todos ao seu redor.

    Ninguém espera "uma guerra nuclear iminente"

    Além disso, Kim Jong-un já forneceu provas suficientes de sua capacidade de prosseguir com sucesso em uma estratégia deliberada. De acordo com o professor, o líder da Coreia do Norte conseguiu "concentrar seu poder decisivamente" e "parece ter mantido a lealdade de uma parte significativa do povo norte-coreano".

    "Ele desenvolveu mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs, na sigla em inglês) e expandiu seu arsenal nuclear muito mais rápido do que a maioria dos observadores esperava", diz Cowen.

    O economista dos EUA lembra que a Coreia do Norte implementou reformas e alcançou resultados notáveis de crescimento econômico. Esse fato, aliado à dinâmica positiva dos mercados de ações dos EUA, sul-coreanos e japoneses, parece convencer Cowen de que esses países realmente não esperam "uma guerra nuclear iminente".

    Washington não é o "principal adversário"

    Usando uma terminologia típica da teoria do jogo, o professor aponta que o "principal adversário" da Coreia do Norte no longo prazo não é o dos EUA, mas a China, muito mais suscetível à ameaça nuclear gerada por Pyongyang.

    Uma maneira de interpretar a disputa entre Kim Jong-un e o presidente dos EUA, Donald Trump, é que o primeiro estaria querendo "enviar mensagens aos chineses que não deveriam tentar derrubá-lo, porque está determinado para apoiar uma retaliação ‘louca’", diz o professor.

    Nesse sentido, o confronto com Washington permite que Kim Jong-un mostre sua "capacidade de parar quase todos", diz ele.

    Uma pessoa "muito racional"

    A necessidade de ver Kim Jong-un como ator racional é sublinhada por vários especialistas. Andrei Lankov, professor da Universidade Kookmin em Seul e um estudioso norte-coreano, assinala em um artigo na revista Foreign Policy que a família no poder consiste em "lutadores pela sobrevivência política", "racionalistas rígidos cujas ações sempre tem um objetivo claro: manter a família no poder".

    Lankov acredita que vê-los como "lunáticos com armas nucleares" é perigoso e pode gerar falsas expectativas de um compromisso alcançado quando a Coreia do Norte "adquira prudência".

    A CIA também parece compartilhar essa visão de Kim Jong-un. Não surpreendentemente, no início deste mês, Yong Suk Lee, gerente sênior do Centro de Missão da Coreia da CIA, caracterizou o líder norte-coreano como "a última pessoa que quer um conflito [na Península da Coreia]", já que o seu objetivo é "governar por um período muito longo e morrer em paz em sua própria cama".

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    sobrevivência, icbm, dinastia, poder, guerra nuclear, política, diplomacia, Universidade George Manson, Foreign Policy, CIA, Yong Suk Lee, Andrei Lankov, Donald Trump, Tyler Cowen, Kim Jong-un, China, Estados Unidos, Península da Coreia, Coreia do Sul, Pyongyang, Coreia do Norte
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