02:31 23 Maio 2018
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    Sanções? Sem problemas: Coreia do Norte vai minerar Bitcoins

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    A Coreia do Norte pode ter encontrado um bom uso para todo o carvão que está proibida de exportar. O recurso está convertido em eletricidade para realizar uma massiva operação de mineração de Bitcoins, afirmam empresas de inteligência.

    A Coreia do Norte pode ter descoberto uma solução inusitada para lidar com as sanções das Nações Unidas, que impedem a exportação do seu carvão mineral. O país vai minerar Bitcoins, afirma Recorded Future, uma empresa de tecnologia da internet, especializada em analisar e prever ameaças à segurança.

    De acordo com o relatório conjunto divulgado pela Record Future e empresa de segurança online Team Cymru, as atividades da Coreia do Norte aumentaram recentemente, o que as empresas identificaram como mineração de bitcoin. O fenômeno foi notado em 17 de maio e permaneceu estável pelo menos até 6 de julho. As empresas, no entanto, apontam que essas são evidências indiretas. Ou seja, são necessárias mais provas para confirmar a teoria.

    "Antes disso, não vi nenhuma atividade indicando que [os norte-coreanos] estavam interessados ​​em Bitcoin", disse Priscilla Moriuchi, diretora de desenvolvimento de ameaças estratégicas da Recorded Future, em uma entrevista ao Washington Times.

    Os pesquisadores não conseguiram determinar exatamente as capacidades de mineração da Coreia do Norte. Existe um potencial de aumento, todavia, alerta o relatório.

    Este não é um caso isolado. Numerosos anteriores, publicados recentemente, afirmam que a Coreia do Norte está cada vez mais interessada em criptomoedas. Como as operações com moedas desse tipo são difíceis de rastrear, o bitcoin e seus similares podem permitir driblar as sanções e realizar e receber pagamentos internacionais sem maiores problemas.

    Relatórios ao longo do ano também indicam que a Coreia do Norte estava supostamente conduzindo ataques cibernéticos para roubar bitcoins dos sul-coreanos. Agora Pyongyang também entrou para o ramo de mineiração.

    A mineração Bitcoin exige uma grande quantidade de eletricidade. Uma das maiores fazendas de mineração do mundo, localizada na Região Autônoma da Mongólia Interior, na China, consome US$ 39 mil em um único dia, de acordo com Quartz. 

    A Coreia do Norte, antes das sanções, era um dos 10 maiores exportadores de carvão do mundo. As medidas restritivas internacionais permitem ao país converter o carvão em energia elétrica, o que por sua vez poderá alimentar as fazendas de mineração de bitcoin.

    Enquanto os analistas ressaltam que o bitcoin pode, estritamente falando, ser rastreado, eles também reconhecem que, na prática, esta é uma tarefa bastante complicada que as agências de inteligência e financeiras dos Estados Unidos não possuem experiência para conduzir.

    De acordo com Yaya Fanusie, ex-analista antiterrorismo da CIA, citada pelo Washington Times, "Coreia do Norte, ao usar essas tecnologias, não estaria exatamente explorando uma lacuna das sanções, mas demonstrando o poder do próprio Bitcoin".

    "Há um jogo de gato e reto evoluindo, e este é o tipo de tecnologia emergente que a [comunidade de inteligência dos EUA] precisa desenvolver conhecimentos para entender", disse Fanusie.

    "Somos bons em rastrear bancos tradicionais, mas Bitcoin não é um banco suíço", disse outro ex-oficial de inteligência, que falou apenas sob anonimato. Segundo ele, os EUA não devem subestimar a crescente capacidade online da Coreia do Norte.

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