01:29 25 Setembro 2017
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    Caças F-16 da Força Aérea dos EUA na base de Kunsan, Coreia do Sul (arquivo)

    Espionagem aérea: como EUA vigiam Coreia do Norte

    © AP Photo/ Hong In-chul
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    A medida que Pyongyang se vangloria dos avanços em seu programa nuclear e ameaça testar mísseis perto do território americano de Guam, Washington continua avaliando o perigo real com a sua aviação de reconhecimento, escreve o CNN.

    Os voos matinais a partir da base aérea de Osan — a mais próxima da Coreia do Norte — são feitos por um Lockheed U-2, apelidado de Dragon Lady. Trata-se de um avião de reconhecimento de grande altitude, que é capaz de voar a mais de 21 quilômetros acima do solo.

    O primeiro voo parte da base aérea de Osan logo depois do amanhecer, sobrevoando a península coreana para coletar e enviar dados críticos para a sede militar dos EUA.

    "Tudo o que este avião coleta é enviado quase que instantaneamente às pessoas que podem analisar, avaliar e comunicar em questão de minutos a nossos chefes", declarou ao CNN o coronel James Bartran, que encabeça o Quinto Esquadrão de Reconhecimento na base.

    Avião-espião de alta altitude

    O Dragon Lady, que realizou seu primeiro voo nos anos 50, durante a Guerra Fria, foi desenvolvido para voar em altitudes de maneira a que a aviação soviética não o pudesse detectar.

    Os modelos mais recentes foram atualizados com novos sensores e câmeras. Além disso, estão equipados com vários sistemas para lidar com uma variedade de tarefas de coleta de informação que os aviões não podem fazer sozinhos.

    Assim, o Lockheed U-2 teve o papel principal para estabelecer o que a Coreia do Norte realmente planeja fazer, aponta o CNN.

    "Temos o que se chama de 'multi-in' [inteligência múltipla]. Somos o único 'multi-in' verdadeiro no teatro de operações. Podemos ver e ouvir coisas ao mesmo tempo", explicou Bartran.

    O militar também afirmou que a presença do Dragon Lady na península da Coreia tem como objetivo assegurar que os EUA têm a informação que precisam para agir ou responder.

    O secretário de Defesa dos EUA, James Mattis, declarou em 17 de agosto que, caso Pyongyang dispare um míssil em direção ao território dos EUA ou de qualquer um de seus aliados, isso terá "graves consequências militares".

    Algumas destas "consequências" poderiam provir da base aérea de Osan, diz o CNN. Além de abrigar os aviões Dragon Lady, esta instalação militar é também a base de dois esquadrões de aviões de combate F-16, que têm por lema: "Prontos para o combate desta noite".

    O "Ferrari" dos aviões

    O Terceiro Esquadrão de F-16 está estacionado em Kunsan, outra base aérea dos EUA na Coreia do Sul.

    "É um Ferrari, é a melhor maneira de descrevê-lo", diz o piloto Daniel Trueblood a propósito das capacidades do avião supersônico F-16.

    A aeronave é capaz de voar a uma velocidade de até 25 quilômetros por minuto (1.500 km/hora). Isso significa que, se os EUA decidirem lançar um ataque contra a Coreia do Norte, os F-16, capazes de portar mísseis de curto e longo alcance e bombas, teoricamente, precisarão apenas de três minutos para alcançar a Coreia do Norte a partir da base de Osan.

    Tal como os pilotos de aviões-espiões, os esquadrões de F-16 treinam diariamente sobre a península coreana, simulando batalhas de dia e de noite.

    "Não se sabe quando vai acontecer alguma coisa ou o que nos podem fazer. Estamos treinando todos os dias como se esta fosse a grande noite", contou Trueblood.

    Além disso, acrescentou que os aviões carregam mísseis HARM, mísseis táticos que operam contra transmissões eletrônicas de radar, além de mísseis ar-ar e ar-superfície.

    "A missão sempre foi muito clara, me ordenaram estar prontos para o combate", concluiu Trueblood.

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    tensão militar, F-16, reconhecimento, espionagem, Coreia do Norte, EUA
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