15:46 22 Julho 2018
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    Um javali está preso na área residencial na cidade de Namie na zona exclusiva da usina nuclear de Fukushima Daiichi

    Javalis selvagens radioativos atacam cidadãos de Fukushima (FOTOS)

    © REUTERS/ Toru Hanai
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    Javalis selvagens radioativos estão percorrendo a zona exclusiva em torno da usina de Fukushima Daiichi, onde houve um acidente em 2011. Os javalis invadiram a área depois de essa ter sido evacuada, mas agora, quando as pessoas estão retornando, há frequentes confrontos entre o homem e os animais.

    Na cidade costeira de Namie, a apenas 4 km da usina nuclear, os javalis percorrem as ruas vazias em busca de comida. Quando os humanos tentam voltar, eles são recebidos por animais selvagens de dentes ensanguentados, com cerca de 90 quilos de peso.

    Um javali percorre uma rua na área residencial na cidade de Namie, na zona exclusiva da usina nuclear de Fukushima Daiichi
    Um javali percorre uma rua na área residencial na cidade de Namie, na zona exclusiva da usina nuclear de Fukushima Daiichi

    "Não é realmente claro agora quem manda na cidade, as pessoas ou os javalis selvagens", diz Tamotsu Baba, prefeito de Namie. "Se não nos livrarmos deles e transformarmos a zona em uma cidade cheia de humanos, a situação ficará ainda mais selvagem e impossível".

    Caçadores de animais da cidade de Tomioka tomam uma foto de javalis após os caçarem na área residencial na zona exclusiva da usina nuclear de Fukushima Daiichi
    Caçadores de animais da cidade de Tomioka tomam uma foto de javalis após os caçarem na área residencial na zona exclusiva da usina nuclear de Fukushima Daiichi

    Embora a ordem de evacuação de Namie tenha sido levantada, mais de metade dos 21.500 residentes decidiram não voltar. Eles deixaram a cidade há seis anos, e as preocupações sobre os altos níveis de radiação permanecem. As autoridades japonesas afirmam, contudo, que os níveis de radiação em Namie voltaram aos níveis anteriores ao acidente.

    Um membro do grupo de controle de animais da cidade de Tomioka aponta a arma contra javalis selvagens em uma armadilha
    Um membro do grupo de controle de animais da cidade de Tomioka aponta a arma contra javalis selvagens em uma armadilha

    Na cidade vizinha de Tomioka, equipes de caçadores colocam armadilhas com farinha de arroz e tentam caçar os javalis com armas. "Depois que as pessoas saíram, [os javalis] começaram a descer das montanhas e agora não voltam", disse o caçador local Shoichiro Sakamoto à agência Reuters.

    Javalis em uma armadilha posta pelos membros do grupo de controle de animais da cidade de Tomioka
    Javalis em uma armadilha posta pelos membros do grupo de controle de animais da cidade de Tomioka

    "Eles encontraram um lugar confortável, com muita comida e ninguém a persegui-los."

    Fontes japonesas estimam que cerca de 13 mil javalis se instalaram na zona exclusiva. A prefeitura de Fukushima está oferecendo uma recompensa para "inspirar" os caçadores.

    Entretanto, os animais se reproduzem rapidamente. O período de gestação é apenas de quatro a cinco meses, em média nascem entre quatro a seis leitões. Os pequenos javalis vão tornar-se, em apenas 2 anos, omnívoros agressivos.

    Não há evidências de que a radiação tenha afetado adversamente os javalis, embora duas a três gerações destes animais tenham vivido na zona irradiada. "Tenho certeza de que funcionários de todos os níveis estão pensando nisso", disse Hideo Sato, da Namie, à Reuters. "Algo deve ser feito."

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    Tags:
    javali, radioatividade, Fukushima, Japão
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