12:09 12 Dezembro 2017
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    Morte do presidente significa islamização imediata?

    © AFP 2017/ Noorullah Shirzada
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    A morte inesperada do presidente uzbeque, Islam Karimov, que governava o país desde 1991, trouxe à tona questões sobre a mudança de poder e a ameaça de islamização do Uzbequistão.

    Em um país com a população de mais de 30 milhões de pessoas, onde 88% das quais são muçulmanas, e que tem limites com todos os países da Ásia Central inclusive o Afeganistão, estas questões têm caráter urgente. Recursos naturais significativos permitem com que o Uzbequistão continue proporcionando o crescimento econômico e estabilidade na região. Entretanto, enquanto a população cresce de forma rápida, surge o problema de desemprego. Muitos uzbeques emigram para a Rússia, China e Cazaquistão, aumentando assim, o risco de criminalização ou radicalização dos uzbeques.

    Segundo a analista independente da publicação Natsionalny Ekspert, Galina Solonina, a islamização do Uzbequistão é a ameaça principal que enfrenta a comunidade uzbeque. Pode tornar-se um lema atraente para simpatizantes do islamismo em tempo de mudanças.

    O jornalista do Uzbequistão, Aleksei Volosevich, disse que agora a questão principal é se o novo presidente uzbeque desaprovará ações islamistas como desaprovava Karimov. Porque se o poder for assumido por um simpatizante do islamismo, tudo poderá mudar. Entretanto, segundo ele, é pouco provável que o país enfrente discórdias, pois não há oposição política bem organizada.

    O especialista do Centro de Carnegie pela Ásia Central, Arkady Dubnov, acredita que Karimov garantia a segurança do país. Entre seus possíveis sucessores, não há pessoa com caráter parecido, acrescenta.

    O vice-diretor do Instituto dos países da CEI da Academia de Ciências da Rússia, Vladimir Evseev, considera que islamistas já marcam presença no Uzbequistão.

    "Há milhares de pessoas condenadas pelo islamismo radical nas prisões. Atualmente, um movimento islâmico do Uzbequistão está localizado no Afeganistão. Até porque, durante o governo de Karimov, eles foram privados de influenciar a situação no país, bem como da oportunidade de assumir o poder", disse.

    Na opinião do especialista, islamistas no Uzbequistão conseguirão reforçar a sua posição caso as situações social e econômica venham a ser deterioradas.

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    povo, islamização, radicais islâmicos, especialistas, liderança, opinião, morte, Islam Karimov, Uzbequistão
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