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    A América Latina entrou em um novo ciclo antineoliberal, segundo demonstram exemplos da Argentina e Bolívia, afirma especialista em economia.

    O que se demonstra na América Latina no século XXI é a incapacidade de governar por parte dos governos neoliberais em múltiplas dimensões, assegurou à Sputnik Mundo Alfredo Serrano Mancilla, doutor em Economia e diretor do Centro Estratégico Latino-Americano de Geopolítica (CELAG).

    "Possuem uma grande incapacidade em dar estabilidade política, institucional e democrática, em administrar o econômico tanto da perspectiva macro – o desequilíbrio macroeconômico, por exemplo, de Macri – como da perspectiva mais microeconômica, cotidiana – as dificuldades econômicas que tem sofrido o povo chileno durante tanto tempo antes e depois da pandemia ou o caso de Lenín Moreno no Equador", disse o economista.

    Segundo o analista, existe a possibilidade de "colocar sobre a mesa a ineficiência dos modelos neoliberais para dar segurança jurídica, social, econômica e institucional em cada país que administrem".

    Protesto de trabalhadores em Buenos Aires, Argentina
    © AP Photo / Agustin Marcarian
    Protesto de trabalhadores em Buenos Aires, Argentina

    Serrano Mancilla observou que os ciclos neoliberais são muito curtos em muitos países da América Latina: o caso de Lenín Moreno, o "da ex-presidente golpista Áñez na Bolívia, onde gerou um empobrecimento massivo em curtíssimo prazo com desequilíbrio macroeconômico", ou o caso argentino com Macri, que "demonstrou ter incapacidade para administrar também a questão econômica".

    "É uma razão importante para afirmar que há uma explosão do modelo neoliberal que impede a existência de opções de estabilidade a médio prazo", disse o economista.

    A miopia dos Estados Unidos

    Enquanto isso, os Estados Unidos, cujas diretrizes seguem os regimes na região, não querem entender que suas leis neoliberais não funcionam na América Latina.

    "O principal problema é que os Estados Unidos deixaram de entender o que ocorre no interior da região. Olha-se tudo de outra episteme, outro contexto e outra história", comentou Serrano Mancilla.

    Para o analista, "é um erro e é a base que explica o pouco conhecimento que existe nos EUA, mas também na Europa e em outras partes do mundo", dos processos que ocorrem na América Latina.

    Manifestação de apoio a Luis Arce na Bolívia
    © AP Photo / Juan Karita
    Manifestação de apoio a Luis Arce na Bolívia
    "Os Estados Unidos têm hoje uma certa miopia política sobre o que ocorre na região. Não consegue entender que, por exemplo, na Bolívia há uma maioria a favor do projeto do MAS [...] como na Argentina há uma maioria progressista que não comunga com os princípios neoliberais, não está de acordo com ingerências", explicou o analista.

    Outro aspecto que os EUA desconhecem, de acordo com o diretor do CELAG, é o valor que têm os princípios da soberania para a maioria dos cidadãos da América Latina.

    "É uma das explicações de que hoje em dia os EUA e governos que surgem de lá tenham dificuldade para gerir uma relação cordial e correta com a região precisamente porque ignoram muitas das circunstâncias políticas e as demandas sociais que existem no povo latino-americano", avaliou.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    analista, neoliberalismo, capitalismo, América Latina, Estados Unidos, economia, política
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