14:59 18 Julho 2019
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    El Monumento a los Caídos en las Islas Malvinas, Ushuaia, Argentina

    Na primeira pessoa: piloto argentino revive últimas horas de combate nas Malvinas

    © AFP 2019 / Juan Mabromata
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    A Sputnik Mundo falou com Juan Membrana, um dos pilotos da aviação naval que participou de uma das últimas missões, em 14 de junho de 1982, quando a Argentina abandonou sua tentativa de retomar através das armas o controle das ilhas Malvinas às forças britânicas.

    Juan José Membrana tinha 29 anos e sete anos de experiência como piloto do Grumman S-2 Tracker, um avião da Segunda Guerra Mundial especializado na detecção e ataque a submarinos. Estes haviam causado o afundamento do ARA General Belgrano, motivo de metade das perdas argentinas no conflito e que é considerado um crime de guerra.

    Juan Membrana, um dos pilotos da aviação naval que participou de uma das últimas missões, em 14 de junho de 1982, quando a Argentina abandonou sua tentativa de retomar através das armas o controle das ilhas Malvinas às forças britânicas.
    © Sputnik / Francisco Lucotti
    Juan Membrana, um dos pilotos da aviação naval que participou de uma das últimas missões, em 14 de junho de 1982, quando a Argentina abandonou sua tentativa de retomar através das armas o controle das ilhas Malvinas às forças britânicas

    Durante os 74 dias do enfrentamento militar, como parte da Esquadrilha Aeronaval Antissubmarina, Juan realizou 11 missões de combate, incluindo o último voo na guerra, no qual ele devia procurar dois camaradas da Força Aérea que em 13 de junho à noite fizeram a última missão de bombardeio.

    "O capitão Pastrán poderia se ejetar quando seu avião foi abatido e acabou prisioneiro dos britânicos e o capitão Casado não conseguiu porque seu assento foi danificado por um míssil. Nós não sabíamos disso. Na manhã do dia 14, voando na zona da derrubada, soubemos que Stanley tinha caído", disse o piloto à Sputnik Mundo.

    A esquadrilha começou a realizar operações com porta-aviões em 23 de março de 1982, alguns dias antes do início do conflito, malvinasdesencadeado em 2 de abril. Juan revelou que o desembarque para assumir o controle das ilhas os pegou de surpresa, depois que a embarcação partiu com suas escoltas e forças terrestres, sem saber qual era a missão específica. 

    "Quando uma nação entra em combate, o faz com sua juventude, com as pessoas mais jovens que estão preparadas e treinadas para realizar uma ação de defesa de seu território. Nós fomos recuperar as Malvinas, com a menor quantidade de danos para a população. Não houve ninguém nas ilhas a ficar ferido, além do choque emocional", revelou ele.

    "Um homem quando está prestes a entrar em combate nunca tem a certeza se vai voltar, se será seu último voo, mas isso ocorre no momento anterior, horas antes. Quando você se senta no avião e vai para cumprir uma missão, se cria como uma visão tubular e se concentra em fazer o que se sabe fazer, não há lugar para outra coisa", lembrou o piloto.

    A guerra das Malvinas custou a vida de 649 militares argentinos, 255 britânicos e três ilhéus civis. A Argentina e o Reino Unido retomaram relações diplomáticas apenas em 1990. O arquipélago está incluído na lista de territórios não autônomos do Comitê de Descolonização das Nações Unidas.pilotos

    Ainda hoje, na Argentina, o tratamento dos ex-combatentes e sua adaptação é um tema sensível no imaginário coletivo. Segundo o portal Checked, embora não haja dados, o número de soldados que cometeram suicídio devido às consequências do conflito foi estimado no início de 2019 entre 350 e 500, segundo associações que agrupam aqueles que um dia combateram nas Malvinas.

    Após o retorno dos soldados derrotados ao continente, Buenos Aires continuou sua demanda em fóruns multilaterais, como o Comitê de Descolonização e a Assembleia Geral da ONU. Da mesma forma, a Constituição de 1994 consagra, numa disposição transitória, a sua reivindicação irrenunciável do território do Atlântico Sul.

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    Reino Unido, Malvinas, Argentina
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