09:20 24 Agosto 2019
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    Ex-estrategista sênior de Donald Trump, Steve Bannon (foto de arquivo)

    Banir a Huawei é '10 vezes mais importante' do que acordo com a China, diz Bannon

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    O ex-estrategista-chefe do presidente estadunidense Donald Trump, Steve Bannon, fez um relato apaixonado do que está conduzindo a guerra dos EUA contra empresa chinesa de tecnologia Huawei, e o comércio tem pouco a ver com isso.

    Na visão de Bannon, muitas vezes creditado em colocar Trump na Casa Branca e visto como um aliado do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, os EUA querem destruir seu concorrente para sempre.

    O líder da direita conservadora afirmou que expulsar a Huawei dos EUA e da Europa é muito mais crítico do que qualquer acordo comercial com Pequim, informou o jornal South China Morning Post na quarta-feira.

    "A ordem executiva é 10 vezes mais importante do que abandonar o negócio. A [Huawei] é uma grande ameaça à segurança nacional, não apenas para os EUA, mas para o resto do mundo. Nós vamos acabar com isso", declarou.

    Tomando uma página do manual do governo (que ele certamente ajudou a criar), Bannon chamou a Huawei de "uma questão de segurança nacional maciça" e "uma ameaça", mas não conseguiu fornecer qualquer tipo de prova.

    No início do mês, Washington colocou a Huawei e suas afiliadas em uma lista negra de negócios que dificultará o acesso da empresa às peças e componentes dos EUA. Seguindo o exemplo, o Google suspendeu suas licenças e acordos de compartilhamento de produtos com a empresa de telecomunicações chinesa, impedindo efetivamente a Huawei de fornecer seus serviços, incluindo na loja Google Play.

    Alegadas preocupações de segurança e medo dos telefones que servem como dispositivos de espionagem para Pequim foram promovidas pelos EUA, que alegam que a Huawei tem ligações com o Partido Comunista da China. Tanto a Huawei quanto o governo chinês contestaram essa afirmação, mas Washington manteve suas armas apesar da falta de provas.

    Não só o governo dos EUA empurrou a esfera privada para atender às suas demandas, agora quer que a Europa proíba a empresa também. Até agora, no entanto, a maioria dos aliados de Washington permanece imperturbável. Tanto o Reino Unido como a Alemanha disseram que não há provas suficientes para suspeitar da Huawei sobre qualquer delito.

    No Brasil, o vice-presidente Antônio Hamilton Mourão teceu elogios à companhia de tecnologia chinesa durante sua visita ao país asiático, na semana passada.

    Independentemente das razões pelas quais os EUA fornecem para colocar a gigante móvel em sua lista negra, pelo menos algumas de suas motivações reais são claras. A Huawei é uma das empresas de tecnologia mais avançadas da China e pioneira mundial na tecnologia 5G. Enquanto as empresas norte-americanas lutam para competir com suas contrapartes chinesas, alguns dizem que os EUA estão tomando medidas extra-mercado para tentar nivelar o campo de jogo, algo que Trump sugeriu a si mesmo.

    As ameaças de Bannon foram além da Huawei. Ele pediu que as empresas chinesas sejam impedidas de acessar os mercados de capital "até que elas concordem com uma reforma fundamental". Embora suas perspectivas de civilizações fundamentalmente conflitantes sejam frequentemente vistas como extremas, seus comentários estão de acordo com Brendan Carr da Comissão Federal de Comunicações, que disse que as empresas que querem acesso aos mercados dos EUA precisam primeiro provar que "compartilham os valores ocidentais".

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    Tags:
    espionagem, Internet, relações bilaterais, tecnologia 5G, disputa comercial, Google, Huawei, Donald Trump, Steve Bannon, Jair Bolsonaro, Antonio Hamilton Mourão, Brasil, Europa, China, Estados Unidos
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