21:01 22 Abril 2019
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    Trabalhador da RN-Purneftegaz, uma empresa filhiada da Rosneft, na estação de compressão de gás Kharampur, na península russa de Yamal (foto referencial)

    Rússia promete defender investimentos petrolíferos na Venezuela 'custe o que custar'

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    O mais firme aliado internacional do presidente venezuelano Nicolás Maduro - a Rússia - reafirmou na semana passada seu total apoio ao regime do líder socialista e seus esforços para impedir o que Moscou vê como interferência nos assuntos internos da Venezuela.

    Ao mesmo tempo, Moscou, que prometeu defender seus ativos petrolíferos na Venezuela desde a crise política iniciada em janeiro, vê riscos para seus investimentos no país latino-americano e se compromete a reagir "da maneira mais dura" possível dentro do direito internacional. Se esses investimentos forem ameaçados, declarou o embaixador da Rússia na Venezuela, Vladimir Zaemsky, ao jornal russo Rossiyskaya Gazeta em uma entrevista publicada nesta semana.

    A Rússia é a mais firme defensora e aliada do regime de Maduro na disputa pelo poder político no país latino-americano, enquanto as nações americanas e europeias reconhecem o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, como presidente interino legítimo.

    A Rússia ficou ao lado de Maduro por anos e despejou bilhões de dólares na Venezuela sob a forma de empréstimos e investimentos em petróleo. A Rosneft, gigante do setor petrolífero controlado pela Rússia, concedeu US$ 6 bilhões em empréstimos à petrolífera estatal venezuelana PDVSA. Em 31 de dezembro de 2018, a Venezuela ainda devia à Rosneft US$ 2,3 bilhões.

    Também se diz que a Rosneft está ajudando a Venezuela a obter os produtos de petróleo necessários para diluir seu petróleo pesado depois que as sanções dos EUA sufocaram as exportações americanas de nafta para a Venezuela.

    Certamente há riscos para os investimentos da Rússia na Venezuela, mas esses riscos estão associados ao comportamento de Washington, e não ao governo venezuelano, como mostra o caso da subsidiária de refino Citgo da PDVSA nos Estados Unidos, afirmou o embaixador Zaemsky à Rossiyskaya Gazeta em uma matéria com o título: "A Rússia não está abandonando seus amigos".

    Todos os projetos de investimento russos foram aprovados pela lei venezuelana e internacional relevante e, portanto, estão sob sua proteção, disse Zaemsky, e acrescentou:

    "Se forem feitas tentativas de privar as empresas russas de seus investimentos na economia da Venezuela, a Rússia reagirá da maneira mais dura, empregando todos os meios disponíveis sob a lei internacional", alertou o diplomata russo.

    Referindo-se à Citgo, Zaemsky disse que a Rússia vê nisso uma política de concorrência desleal dos EUA, citando outro exemplo — "pressão sem precedentes dos EUA sobre a Europa" sobre o projeto do gasoduto Nord Stream 2, na tentativa de tirar a Rússia do mercado de gás da União Europeia (UE).

    Da mesma forma, Washington basicamente se apropriou de ativos de um grande negócio de refino de petróleo, sem pagar um centavo por isso e se escondendo atrás de histórias de sua transferência para "o presidente legítimo Juan Guaidó", destacou Zaemsky, segundo o jornal Rossiyskaya Gazeta.

    O embaixador russo na Venezuela também reafirmou a posição de Moscou de que as relações russo-venezuelanas são estratégicas e os países continuam a fortalecê-las.

    Essa posição também foi expressada na semana passada pelo ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, que afirmou na sexta-feira, após conversar com a vice-presidente venezuelana Delcy Rodriguez, que Moscou apoia Maduro e as "medidas tomadas pelo governo para evitar mais desestabilização".

    A vice venezuelana confirmou o que Maduro disse repetidamente: que a liderança venezuelana está pronta para esse diálogo. "É lamentável, é claro, que a oposição rejeite consistentemente o diálogo — com instruções diretas de Washington, como todos sabemos muito bem", disse Lavrov, conforme veiculado pelo Ministério de Relações Exteriores da Rússia.

    No sábado, em uma conversa telefônica com o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, sobre a Venezuela, Lavrov "condenou as ameaças que os EUA fizeram contra a liderança legal do país, que é uma interferência direta nos assuntos internos de um Estado soberano e uma violação grave da lei internacional", informou a Chancelaria russa.

    Enquanto as superpotências globais se dividiram sobre o manejo da crise na Venezuela, a indústria petrolífera do país latino-americano foi duramente atingida pelas sanções dos EUA contra ela e contra a petrolífera estatal PDVSA. A Venezuela luta para encontrar compradores para o seu petróleo, após as sanções essencialmente proibirem as exportações para o que foi seu maior mercado até recentemente, os EUA, bem como as importações dos EUA da nafta, que o país usa para diluir seu óleo pesado espesso para torná-lo fluído.

    A russa Rosneft está supostamente vindo em socorro com os embarques de nafta para a Venezuela para ajudar a tornar seu óleo pesado adequado para processamento e exportação. Dois petroleiros da Rosneft enviarão 1 milhão de barris de nafta pesada para a Venezuela nas próximas semanas, informou a Bloomberg na terça-feira, citando relatórios de navios e uma fonte com conhecimento dos planos. Essas remessas de nafta poderiam trazer alívio imediato, mas seriam inferiores às importações típicas mensais de nafta pesada da Venezuela, de 2 a 3 milhões de barris, segundo a Bloomberg.

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    Tags:
    interferência estrangeira, investimento estrangeiro, petroleo & gás, crise na venezuela, Rosneft, PDVSA, Sergei Lavrov, Juan Guaidó, Delcy Rodríguez, Nicolás Maduro, Vladimir Zaemsky, Estados Unidos, Rússia, Venezuela
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